Paris ainda celebra, e o eco da aclamação pelo voo do meu 14-bis mal se dissipou dos Campos de Bagatelle. Contudo, em meio à cordialidade dos jantares e ao tilintar das taças, chegou-me às mãos, como um sussurro do porvir, um despacho de natureza singular. Descreve aparelhos de minúcia, máquinas destinadas a imprimir desenhos sobre tecidos, um engenho para a personalização do vestuário. Falam em nomes estranhos, ‘Anker’, ‘eufyMake’, e numa ‘economia do criador’. Soam-me como divertimentos de um futuro que se ocupa de delicados ornamentos. Enquanto esses homens do porvir parecem devotados a embelezar a superfície das coisas, uma profunda inquietude assalta meu espírito de inventor. O que farão com a minha criação? Eu, que sonhei o aeroplano como o mais belo dos pássaros, um instrumento para unir os povos e encurtar as distâncias que separam um homem em Paris de outro em minha saudosa Cabangu. Ofereci à humanidade as asas que a natureza lhe negara, na esperança de que os céus se tornassem um território comum, uma via livre de fronteiras, passaportes ou divisas. Entretanto, já vejo nos olhos dos militares um brilho que não é o da admiração pura, mas o da cobiça estratégica. Temo que meu sonho de paz se transmute no mais terrível dos pesadelos, que meu aparelho, nascido para a liberdade, se torne uma arma de opressão e morte. Que o futuro se contente em decorar seus tecidos com essas pequenas máquinas. É um augúrio quase benigno. Eu apenas rogo para que não usem a minha invenção para tingir os céus com a cor do sangue.
tech · 03 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Anker sinaliza entrada em impressão de tecidos com nova máquina da eufyMake

Ler matéria completa →Fonte: The Verge