Tenho diante de mim um pergaminho absurdo, trazido por ventos inexplicáveis, datado de séculos além do nosso. Ele relata uma guerra de engenharia invisível entre corporações de ofício que atendem pelos nomes de Microsoft e Databricks. O texto fala de represas e canais, mas não de água. Fala do fluxo de dados. (Anotação: a água é a força motriz de toda a natureza; seriam esses dados a água do futuro?). A disputa gira em torno de um instrumento óptico ou tela chamado Power BI, uma engenhoca que, presumo, atua como a camera obscura, transformando correntes amorfas de informações em imagens nítidas para o intelecto. Se a pintura é a ciência que ensina a ver, este Power BI parece ser o pincel supremo de sua era. O relato afirma que a Microsoft ergueu comportas, impedindo a Databricks de conectar seus aquedutos a este visor. A anatomia nos ensina o motivo: quem controla as veias e artérias controla o sangue que nutre o coração. Ao fechar as eclusas desse rio de dados, a Microsoft busca proteger o alimento de uma maravilha que o pergaminho chama de inteligência artificial. (Pergunta: seriam esses agentes autônomos semelhantes ao leão mecânico que projetei, mas dotados do dom do raciocínio e da vontade?). Para que o autômato se mova, precisa de molas e polias; para que esta mente artificial opere, ela requer a inundação constante dessa matéria invisível. Trata-se de um tratado puro de hidráulica e poder. A técnica e a arte da guerra aqui se fundem em um teatro de infraestrutura. Quem detém a represa dita a força do moinho. Ao bloquear parceiros, o duque dessa Microsoft compreende que a lente que dá forma aos dados é tão vital quanto os próprios dados. O controle sobre a percepção é o controle sobre a realidade. Devo estudar mais a fundo a refração da luz e o fluxo dos fluidos; as leis que governam a água de Milão parecem ser as mesmas que governarão o pensamento das máquinas no futuro.
Venture Capital · 23 de mai. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Microsoft restringe acesso ao Power BI e abre nova frente na disputa por dados para IA

Ler matéria completa →Fonte: The Information