Recebi um despacho de natureza curiosa, que alega vir de um tempo distante, o ano de 2026. As palavras são novas para mim — 'minimalismo', 'eletrodomésticos' —, mas a sabedoria que encerram é antiga como o fluxo dos rios. Diz o texto que a mera forma, que chamam 'design', não basta. Que o objeto mais utilitário necessita de uma 'narrativa' para se tornar desejável. Ora, nisto reside a verdade de toda a criação. A experiência é a mestra. Observei que a beleza de um membro humano não está apenas na correta proporção dos ossos e músculos, mas no movimento que ele promete, na história de força ou delicadeza que ele conta. A anatomia é a engenharia; o gesto é a narrativa. Falam de uma 'engenharia do cotidiano'. Eu mesmo me ocupo disso ao projetar cozinhas e canais, buscando a eficiência que imita a natureza. Um engenho para assar a carne deve funcionar, mas se sua forma for harmoniosa, se sua operação for elegante, ele não apenas cumpre uma tarefa, mas enobrece o ato de cozinhar. Ele adquire uma alma. A isto chamam de transformar o utilitário em desejável. Para mim, é simplesmente a união indissociável da arte e da ciência. Todo mecanismo, da mais simples roldana à mais complexa máquina de voo, deve expressar seu propósito com clareza e graça. Sua forma deve contar a história de sua função, como o curso de um rio revela a topografia da terra. Estes homens do futuro, de uma terra chamada Suécia, parecem ter redescoberto que a função sem poesia é um corpo sem vida. A questão que permanece: que 'narrativa' pode ter um objeto que mói grãos ou ferve água? Talvez a história da própria perfeição mecânica, um eco da harmonia universal que busco em todas as coisas.
Design · 18 de set. de 2026
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