Chega-me às mãos uma curiosa missiva, um despacho que se diz do porvir. Os termos são-me estranhos: falam de uma 'Inteligência Artificial', de cifras que desafiam a imaginação — bilhões para algo chamado 'Fireworks AI'. Fogos de artifício? A palavra ressoa em mim com um duplo sentido, o da celebração e o da pólvora. Sinto um calafrio que pouco tem a ver com o ar de outono em Paris. Há poucas semanas, o meu 14-bis elevou-se sobre este mesmo Campo de Bagatelle. O júbilo, o abraço dos parisienses, a sensação de haver entregado à humanidade as chaves de um novo domínio... Eu sonhei o ar como uma via para unir os povos, para encurtar as distâncias que nos separam, tornando o mundo uma vizinhança. Do céu de Paris, penso no céu da minha Cabangu, e vejo que é um só, um manto sem fronteiras que nos cobre a todos. Para mim, o avião é o triunfo sobre as divisões da Terra. Contudo, este rumor do futuro me assombra. Fala de 'capital de risco', de 'teses específicas', como se este novo poder, esta 'IA', fosse um território a ser conquistado para fins privados, e não um bem comum. Temo que o destino de minha invenção seja semelhante. Temo que os homens, em sua ambição, transformem os céus não em estradas de paz, mas em campos de batalha. Que os aeroplanos, que concebi para a comunhão, se tornem instrumentos de guerra, assim como estes 'fogos de artifício' do futuro talvez não sirvam apenas para iluminar os céus em festa. Este é um peso que sinto sobre os ombros, uma melancolia que se mistura ao orgulho da conquista.
Venture Capital · 18 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Rodadas da semana indicam apetite por IA, com US$ 1,5 bi para a Fireworks AI

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