Paris ainda celebra, e meu coração se enche de um orgulho sereno. Há poucas semanas, o meu 14-bis provou que o homem pode, por seus próprios meios, elevar-se da terra. Conquistei o ar, mas uma estranha melancolia me visita nas longas noites parisienses. Recebi um despacho singular, um rumor vindo não se sabe de onde, que fala de um tempo distante, no ano de 1926 de um novo século. Narra proezas de uma China que mal conheço, movendo suas cargas mais pesadas em carroções sem fumaça, impulsionados pela força silenciosa da eletricidade. Uma maravilha da engenharia, devo admitir. Que motor prodigioso seria este, capaz de mover tais gigantes sem o estrondo e a fuligem que tanto conheço? Lembro-me de minhas próprias batalhas com os motores a explosão, buscando a leveza e a potência. A ideia de uma energia limpa para o progresso terrestre me fascina. Contudo, o texto usa termos de guerra, de 'xeque-mate'. O progresso, ao que parece, continuará a ser uma arma na disputa entre as nações. É precisamente disto que tenho medo. O meu sonho, que nasceu nas colinas de Cabangu e tomou forma aqui na França, nunca foi o de dar armas aos homens, mas asas. Do alto, como pude vislumbrar, não existem fronteiras. O céu deveria ser um território comum, uma via para unir os povos, não para traçar novas linhas de conflito. Temo que, mesmo com carroças elétricas e outras maravilhas que o futuro nos reserva, a maior invenção do homem continue a ser a divisão. E que meus aeroplanos, em vez de mensageiros da paz, se tornem terríveis aves de rapina.
Inovação · 12 de ago. de 2026

Ensaio sobre a notícia

China acelera para eletrificar seus caminhões: o xeque-mate no diesel

Ler matéria completa →Fonte: Xataka