Chegou-me às mãos um escrito assombroso, um rumor de tempos vindouros sobre uma tal de Prosegur, companhia de mercenários de uma escala que faz empalidecer os Sforza. Falam de setecentos milhões de uma moeda que chamam 'euro' para custear a arte da guerra. Que fortuna! Com tal soma, eu poderia desviar o Arno, construir a cidade ideal, fundir um cavalo em bronze que nem mil tempestades derrubariam. E, no entanto, a destinam apenas à Defesa, que é o nome polido para a destruição. O mais intrigante é a menção a uma certa 'tecnologia'. Que engenhos serão esses? Máquinas de cerco movidas por engrenagens ocultas? Instrumentos para voar, não como meus pássaros mecânicos, mas talvez como enxames de vespas metálicas? A verdadeira força não reside no ouro, que é apenas um metal, mas no *ingegno* que o transforma em poder. A anatomia de um exército é como a de um corpo humano: o dinheiro é o sangue que nutre, mas a 'tecnologia' é o sistema de músculos e ossos que lhe confere movimento e força. O general, como o pintor, deve conhecer cada fibra. Observo o fluxo dos rios e a mecânica das alavancas. A força se multiplica pela aplicação correta do conhecimento. Será que estes homens do futuro dominam essas leis a um ponto que nem imagino? A guerra, tal como a pintura, é ciência da superfície e da profundidade, da luz e da sombra. Questiono-me se esta Prosegur conhece a perspectiva da batalha, a composição do terror. E que arte sombria é essa, cujo único propósito é a eficiência da violência? Devo anotar: 1. Investigar a proporção entre o peso do ouro e o poder de um canhão. 2. Desenhar um novo carro de assalto, com a carapaça de uma tartaruga. 3. A água que move um moinho pode também afogar um exército. Lembrar-se disto.
Defesa · 15 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Prosegur mira 700 milhões de euros em contratos de Defesa e segurança

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