Aqui em Paris, as folhas de outono ainda guardam o eco dos aplausos no Campo de Bagatelle. Há poucas semanas, o 14-bis provou que o homem, este ser pesado e preso ao solo, pode de fato comungar com as nuvens. Penso frequentemente em Cabangu, na imensidão de nossa terra, e reafirmo minha convicção: o céu é um território comum, uma abóbada sem pátria, inteiramente livre das cercas que dividem os homens e fomentam a discórdia. Contudo, chegou-me às mãos um estranho relato, como um rumor soprado de um século distante, falando de corporações com nomes indecifráveis como Microsoft, Alphabet e Meta. Mencionam ainda uma tal Amazon, palavra que me remete imediatamente à nossa majestosa floresta, mas que no texto descreve um império mercantil de proporções espantosas. O informe relata lucros formidáveis e o triunfo de uma tecnologia abstrata em um mercado financeiro que celebra o otimismo enquanto esconde divergências estruturais. Confesso que leio essas palavras com o mesmo misto de orgulho cordial e sombria melancolia que hoje me acompanha. Quando concebi o aeroplano, sonhei com a união dos povos. Desejei que a máquina fosse um instrumento para encurtar distâncias e cultivar a paz. No entanto, já sinto o calafrio de uma terrível premonição. Temo que os ares, antes livres, sejam em breve patrulhados e rasgados por máquinas de guerra. Ao ler sobre essas gigantes do futuro, pergunto-me se a humanidade cometerá o mesmo pecado com suas novas invenções. Essas entidades, que parecem deter o controle sobre as ferramentas do amanhã, não estariam erguendo novas fronteiras, invisíveis aos olhos, porém intransponíveis? A técnica não deve ser um feudo de poucos. O progresso que não emancipa o espírito acaba, invariavelmente, por aprisioná-lo. Que a ambição desmedida não transforme o engenho humano em correntes.
Negócios · 05 de mai. de 2026

Ensaio sobre a notícia

O choque de CapEx: Como Amazon, Meta e Alphabet justificam a conta da IA

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