Encontro-me imersa nas notas ao artigo do signor Menabrea sobre a Máquina Analítica do senhor Babbage, quando um fragmento peculiar, vindo de uma época que minha mente mal ousa conceber, chega às minhas mãos. Fala de um ano distante, 2026, e de uma entidade chamada Pasqal, descrita como uma iniciativa de tecnologia profunda. O relato menciona a fuga de mentes e de capitais da nossa velha Europa para os Estados Unidos, em busca do que chamam de liquidez. Sorrio com uma ponta de ironia amarga. Parece que, mesmo após séculos, o continente europeu continua a tratar seus visionários com a mesma miopia com que o Parlamento britânico trata as engrenagens de Babbage. A falta de apoio para empreitadas que transcendem o imediato não é uma novidade. O senhor Babbage implora por fundos para construir uma máquina capaz de tecer padrões algébricos como o tear de Jacquard tece flores e folhas, mas os homens de Estado exigem utilidade imediata. Eles não compreendem que a imaginação é a mais alta faculdade científica. É ela que nos permite ver o invisível, prever que a Máquina não se limitará a números. Se lhe fornecermos as relações fundamentais da harmonia musical, ela poderá compor peças de qualquer grau de complexidade. Essa tecnologia profunda do futuro, que lida com o que imagino ser o prelúdio de uma inteligência artificial ou cálculos além da compreensão atual, enfrenta o mesmo exílio pragmático. A América, com sua vastidão e juventude, parece oferecer o solo fértil que a nossa Europa, engessada em tradições e cautelas financeiras, recusa. Este senhor Bokhari, líder dessa nau chamada Pasqal, reconhece as barreiras estruturais que sufocam a inovação aqui. Não me espanta que ele olhe para o oeste. A ciência verdadeira exige não apenas o rigor da matemática, mas a poesia do investimento arriscado, a crença naquilo que ainda não existe. Enquanto traduzo as palavras de Menabrea, percebo que a luta para financiar o futuro é eterna. A Europa pode ter o intelecto para conceber a Máquina, mas, se lhe falta a imaginação para financiá-la, as sinfonias dos números acabarão sendo regidas em outras margens.
Startups · 10 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

CEO da Pasqal aponta desvantagem europeia e avalia listagem nos EUA

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