Recebi um despacho curioso, repleto de termos estranhos sobre negócios de vestuário num futuro distante. Embora os detalhes sobre essa tal 'Azzas' me escapem, a essência do fracasso é uma melodia que conheço bem. Esses senhores, Birman e Jatahy, parecem ter esquecido uma lição fundamental: uma união de empresas é como conectar dínamos em paralelo. A voltagem e a fase devem ser idênticas, ou o resultado é um curto-circuito catastrófico que destrói máquinas valiosas. Falam em 'diferenças culturais irreconciliáveis'. Ora, em Menlo Park, o que temos é um método. Milhares de horas de transpiração, de tentativas e erros, sob um comando único e um objetivo claro: a primazia comercial. Tentar unir meu laboratório com outro, que valoriza a teoria vazia ou a hesitação, seria um desastre. O que chamam de 'sinergia' me soa a uma fantasia de financistas que nunca sujaram as mãos com graxa ou fuligem. Uma fusão só tem valor se solidifica o controle, elimina um concorrente ou adquire uma patente crucial. Qualquer outro motivo é vaidade e leva ao que se viu: uma separação dispendiosa que só beneficia os advogados e a concorrência que assiste de camarote. Enquanto esses homens do futuro se preocupam com suas 'marcas', eu me ocupo em construir a rede que iluminará cidades. O valor não está em uniões mal-sucedidas, mas em sistemas robustos, patentes defendidas com unhas e dentes e um produto que o mundo inteiro desejará. O resto é fumaça, um espetáculo para os jornais que logo será esquecido.
Negócios · 03 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Azzas: o divórcio-relâmpago que o mercado já previa

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