O que parecia ser a consolidação de um império da moda brasileira terminou em um divórcio pragmático. Menos de dois anos após a fusão que criou a Azzas 2154, Alexandre Birman, da Arezzo&Co, e Roberto Jatahy, do Grupo Soma, selaram a separação dos negócios. O acordo foi fechado após 48 horas de negociações intensas, que colocaram os dois empresários na mesma mesa pela primeira vez em meses.
A cisão, reportada pelo InfoMoney, encerra uma disputa que escalou para arbitragem e expôs a falha da tese original da fusão. A leitura aqui é que, mais do que um fracasso, a separação foi a solução racional para um problema fundamental: a incompatibilidade cultural entre dois líderes e suas respectivas máquinas de crescimento, que nunca operaram como um só corpo.
O choque de visões
A união entre Arezzo&Co e Grupo Soma foi vendida ao mercado como um movimento de sinergia e escala. Na prática, revelou-se uma holding de "unidades de negócio de pouca conciliação", como descreveu uma fonte próxima à negociação. O problema não estava na performance das marcas, mas na colisão de duas culturas empresariais fortes e visões de gestão "irreconciliáveis".
De um lado, a máquina de varejo e expansão de Birman; do outro, a construção de marcas de desejo de Jatahy. A promessa de que a soma das partes seria maior que o todo esbarrou na realidade de que os dois fundadores, referências em seus respectivos mercados, não conseguiriam pilotar a mesma aeronave. O acordo de acionistas, que deveria ser a cola, tornou-se o ponto de atrito.
Pragmatismo acima da vaidade
O mérito do desfecho está em sua racionalidade. Em vez de se arrastar por uma disputa litigiosa que destruiria valor para todos os acionistas — um roteiro comum em grandes imbróglios societários no Brasil —, os controladores optaram por uma solução empresarial. Com a cisão, Birman retoma o controle da Arezzo e da estratégica Hering, enquanto Jatahy fica com Reserva e Foxton. A Farm Rio, joia da coroa do Grupo Soma, torna-se uma entidade independente, com potencial de venda no horizonte.
A curta história da Azzas 2154 serve como uma lição para o mercado brasileiro de fusões e aquisições: a compatibilidade cultural não é um item secundário no checklist de um M&A, mas muitas vezes o fator decisivo para seu sucesso ou fracasso. Agora separados, Birman e Jatahy têm a chance de provar que, para eles, dois negócios focados valem mais do que um conglomerado em conflito.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





