Faz poucas semanas que o campo de Bagatelle testemunhou o voo do 14-bis. Aqui em Paris, o ar ainda parece vibrar com o zumbido do motor Antoinette. Sinto um orgulho cordial por ter provado que o homem pode, enfim, navegar o oceano atmosférico. Contudo, entre as comemorações, chegou às minhas mãos um relato assombroso, um rumor datado de um distante 2026. O documento descreve uma tal SpaceX e expedições além da nossa atmosfera. O céu, que sempre enxerguei como um território comum, desprovido de cercas ou alfândegas, parece ter se tornado um ativo financeiro. Fala-se em abertura de capital e testes de mercado. Quando concebi meus balões e aeroplanos, fi-lo pensando em encurtar distâncias, em unir as nações. Deixei minhas patentes abertas, livres para o escrutínio público. A ideia de que o firmamento será loteado por corporações traz-me uma profunda melancolia premonitória. Temo que, muito antes de comercializarem as estrelas, os governos transformem minhas máquinas voadoras em implacáveis instrumentos de guerra e destruição. O texto menciona ainda entidades como OpenAI e Anthropic, arquitetas de uma chamada inteligência artificial. Confesso que o termo desafia minha compreensão. Máquinas dotadas de razão? Se hoje empregamos todo nosso engenho para dominar o bambu, a seda e o alumínio, o que será da humanidade quando tentar forjar o próprio intelecto em laboratórios? Em minha infância, na fazenda de Cabangu, observava as nuvens e sonhava em imitar a liberdade dos pássaros, não em substituir o arbítrio humano por mecanismos opacos. Lemos sobre investigações de procuradores e o escrutínio sobre as avaliações financeiras de uma elite sediada em um incompreensível Vale do Silício. Se a ambição monetária e o instinto bélico guiarem essas novas invenções, o progresso técnico será nossa ruína moral. Recuso-me a aceitar as fronteiras que o capital e os exércitos tentarão impor. O céu, seja o dos aviões ou o da mente, deve permanecer um domínio irrestrito de todos.
tech · 13 de jun. de 2026

Ensaio sobre a notícia

A onda de IPOs da nova geração de tech e o teste de mercado para SpaceX e OpenAI

Ler matéria completa →Fonte: TechCrunch