Chegou-me um rumor peculiar, vindo de um futuro possível. Baratas-ciborgue. Para resgates. A imaginação humana é de fato ilimitada, ainda que sua sabedoria nem sempre a acompanhe. A ideia tem uma lógica brutal. Sempre se especulou que as baratas herdariam a Terra após nossa autodestruição. Agora, parece que planejamos equipá-las para a tarefa de limpar nossa bagunça. As civilizações, como as estrelas massivas, tendem ao colapso. Elas se aproximam de um horizonte de eventos político, um ponto sem retorno a partir do qual a estrutura social se desintegra sob o próprio peso. Nada escapa, nem mesmo a luz da razão. O que atravessa essa fronteira? O que opera nos escombros? Aparentemente, um inseto com uma mochila eletrônica. Isso diz muito sobre nossa busca por inteligência artificial. Sonhamos com máquinas que pensam como nós, que resolvem os grandes quebra-cabeças do universo. Em vez disso, terceirizamos a locomoção para um sistema nervoso que já existe há milhões de anos. É um atalho. Eficiente, admito. Mas não é a ascensão das máquinas. É a cooptação do que já é resiliente. Talvez a inteligência não seja o traço que garante a sobrevivência. Talvez seja a adaptabilidade, mesmo que primitiva. Se o universo tem senso de humor, ele se manifesta em ironias como esta. Construímos ferramentas para nos salvar de nós mesmos, e a mais promissora delas rasteja pelo chão. Resta saber se, ao final, haverá alguém para ser resgatado.
Robótica · 06 de set. de 2026
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