Recebo, com assombro, um despacho de um futuro que mal ouso conceber. Relata sobre 'novos luditas' que, em Nova York, promovem festas contra o avanço de certas tecnologias, como uma tal 'inteligência artificial'. Conheço a pecha: homens que, por medo e ignorância, voltaram-se contra as máquinas que prometiam o progresso. Não vejo grande diferença para os que hoje, aos gritos, recusam a ciência que lhes pode salvar a vida. Contudo, a natureza de sua revolta me espanta. Protestam com 'alegria' contra inimigos que não posso ver: 'plataformas digitais', 'Big Tech'. Meu inimigo, senhores, tem nome e endereço. É o mosquito na caixa d’água, é o bacilo da peste no porão imundo, é o vírus da varíola que desfigura e mata. Eu o caço rua a rua, casa a casa. Minha guerra não comporta festas; exige disciplina, rigor e, sim, a força do Estado quando a razão se ausenta. O mais irônico é que se insurgem contra a 'captura de dados'. Ora, os dados são minha principal artilharia! Cada caso de febre, cada foco de insalubridade, cada óbito é um ponto no mapa que me permite encurralar a epidemia. Sem informação, combatemos às cegas. Como podem estes homens do futuro, que certamente desfrutam de uma saúde que hoje construímos com suor e impopularidade, dar-se ao luxo de rejeitar o conhecimento? Talvez toda nova fronteira da técnica convoque seus próprios rebeldes. Os de hoje temem a picada que imuniza; os de amanhã, pelo que entendo, temem um espectro que lhes rouba algo que chamam de 'atenção'. Enquanto eles dançam, eu sigo com minhas brigadas. A febre amarela não espera.
Sociedade · 27 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Os novos luditas marcham em Nova York: a revolta agora é uma festa

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