Recebi um despacho curioso, vindo de um futuro que mal posso conceber, sobre um tal de Nitin Nohria, de uma 'Escola de Negócios de Harvard'. Ele alega que o papel do chefe de uma grande empresa pouco mudou. Minha primeira reação é de escárnio. O que sabem estes acadêmicos, que nunca sujaram as mãos com graxa de dínamo ou respiraram a fumaça de mil experimentos de filamentos, sobre a verdadeira natureza do comando? Meu laboratório em Menlo Park é a única escola de negócios que importa, e suas lições são pagas com suor e capital de risco, não com anuidades. Contudo, ao refletir, talvez o homem tenha razão, ainda que por acidente. O ofício do líder, do homem que constrói um sistema do zero, é de fato imutável em sua essência. Não se trata de gerir complexidades, mas de impor uma visão simples com uma vontade de ferro. Minha lâmpada seria uma curiosidade de feira sem o dínamo para alimentá-la, a fiação para distribuí-la e os medidores para cobrar por ela. O trabalho do chefe é enxergar o sistema inteiro antes que ele exista e, então, financiar, patentear e lutar por cada peça dele. A competição é a mesma, seja contra a obsoleta iluminação a gás ou contra rivais que tentam contornar minhas patentes. O objetivo é vencer, dominar o mercado, tornar-se indispensável. Este Nohria fala de 'funções centrais'. Para mim, a função central é uma só: transformar a imaginação em infraestrutura, a invenção em indústria. Se em '2026' os líderes ainda fazem isso, então, de fato, nada mudou. A diferença é que aprendi isso na bancada, não em um livro.
Negócios · 20 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Ex-reitor de Harvard: o papel do CEO mudou pouco em 30 anos

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