Paris ainda celebra, e eu mesmo, confesso, mal consigo conter o assombro. Oferecemos ao mundo os céus, um novo oceano a ser navegado. No entanto, em meio aos brindes e cumprimentos, chegou-me às mãos um despacho curioso, um rumor de um tempo vindouro. As palavras são um enigma: falam de 'dados corporativos', de uma 'infraestrutura legada', de 'lacunas de governança'. Sinto-me como um leigo diante de um diagrama complexo, sem entender a função de cada peça. Que nova máquina é essa, feita não de bambu e seda, mas de informações invisíveis? Que desafios são estes, que parecem assombrar os 'líderes de tecnologia' do futuro? Minhas preocupações sempre foram tangíveis: o peso do motor, a resistência do tecido, a direção do vento. O futuro, ao que parece, preocupa-se com fantasmas em sistemas que não posso tocar. E isso me perturba. Se os homens do porvir se enredam em problemas tão etéreos e burocráticos, o que não terão feito com algo tão brutalmente físico quanto o aeroplano? Meu maior receio, que por vezes me rouba o sono, é este: que minha invenção, concebida para unir os povos, para fazer do céu um território comum e sem fronteiras, seja transformada em arma. Que essa 'governança' de que fala o despacho seja usada não para resolver 'lacunas', mas para criar novas divisões, para traçar linhas de batalha nas nuvens que hoje vejo como um convite à liberdade. Sonho com um mundo onde o voo sirva para levar um médico a um vilarejo remoto, não para transportar bombas. Espero, do fundo da alma, que a humanidade escolha o caminho de Cabangu ao invés do caminho da caserna, e que o céu permaneça de todos.
Tecnologia · 25 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Dados corporativos em quatro lugares: a infraestrutura que ninguém substitui

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