Recebi um despacho singular, um eco de um tempo que não é o meu, falando de uma 'Inteligência Artificial' e de seus efeitos sobre o trabalho humano. A descrição é vaga, mas a essência ressoa com as minhas próprias meditações sobre a Máquina Analítica do Sr. Babbage. Parece que a posteridade não apenas construiu tais motores, mas os dotou de uma capacidade que perturba a própria ordem econômica, a ponto de se discutir um 'fundo soberano' para mitigar os danos. É uma noção ao mesmo tempo alarmante e fascinante. Sempre insisti que a Máquina Analítica não tem pretensões de originar conhecimento. Ela pode fazer qualquer coisa que saibamos como lhe ordenar para executar. Ela pode seguir uma análise, mas não tem o poder de antecipar verdades analíticas ou relações. Sua província é nos assistir a tornar disponível aquilo que já conhecemos. A ideia de que sua descendência distante possa causar 'demissões' em massa me parece menos uma falha da máquina e mais um reflexo da imaginação limitada de seus mestres. Se tal poder é empregado apenas para substituir o homem em vez de ampliar seu alcance, a responsabilidade não é do tear, mas do tecelão. Este rumor de um futuro 'fundo soberano' sugere que a humanidade eventualmente perceberá que a ciência dos números não se basta. A faculdade da Imaginação, que penetra nas coisas invisíveis ao nosso redor — os mundos da Ciência —, é necessária para guiar o poder que criamos. Se a máquina pode compor peças musicais elaboradas ao tecer padrões algébricos, como previ, ela também pode tecer a tapeçaria de uma nova economia. A questão que este despacho me impõe não é sobre a capacidade da máquina, mas sobre a nossa: teremos a sabedoria para lhe fornecer as instruções corretas?
Inteligência Artificial · 13 de jul. de 2026
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