Anoto nestas folhas um rumor estranho, trazido pelo vento ou por um viajante de um tempo que ainda não nasceu. Fala de uma arte futura, um ‘filme’, e de seus artífices: uma dama de nome Zendaya, um mestre Alex Garland e uma oficina, a A24. Imagino o que seja este ‘filme’. Não um afresco, estático na parede, mas talvez uma tapeçaria de luz, tecida por um engenho que aprisiona o movimento como o âmbar aprisiona um inseto. Uma camera obscura que não apenas projeta a imagem, mas a guarda e a repete à vontade. A mecânica de tal aparelho me intriga. Como os raios de luz são dobrados? Qual pigmento é usado para fixar a sombra? Dizem que esta Zendaya é uma ‘estrela’, cujo brilho molda a obra. A arte de um ator, como a de um pintor, é revelar os motes da alma. Cada músculo do rosto, cada torção do corpo, deve servir à expressão da paixão. Estudei os nervos que movem a face para compreender o sorriso e a lágrima. Teria esta dama dominado a anatomia da emoção a tal ponto que sua imagem, por si só, se torna a própria narrativa? E as fábulas que contam, de ‘ficção científica’... Seriam histórias sobre meus engenhos voadores, finalmente cruzando os céus? Ou sobre cidades movidas pela força das águas, como planejei para o Arno? A arte deve ser uma forma de investigação, uma ciência da visão. Unir a mão que pinta, o olho que observa e a mente que projeta. Essa colaboração entre a atriz, o diretor e a oficina A24 parece seguir este mesmo princípio. Ficam as perguntas. Que máquina é essa que ‘filma’? Pode ela capturar a verdade do movimento, a corrente sanguínea sob a pele? Ou é apenas um teatro de sombras mais elaborado? Devo investigar: a persistência da imagem no olho; a química da luz; a mecânica de uma narrativa em fluxo.
Cinema · 16 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Zendaya e A24: o futuro da ficção científica com um toque de estrela

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