Chegou-me às mãos um relato absurdo, uma espécie de profecia financeira datada de mais de um século à frente, mencionando uma gestora espanhola, conflitos na Pérsia — que chamam de Irã — e um verão de inflação na Europa. O jargão é confuso, repleto daquelas abstrações que os banqueiros de Wall Street adoram usar para justificar lucros sem suar a camisa. No entanto, há um ponto nesse delírio que me soa perfeitamente lúcido: a recomendação para que os investidores ignorem o ruído geopolítico e mantenham suas apostas na tecnologia. Eles tratam a tecnologia como um porto seguro contra a desvalorização do capital. Não me surpreende. Aqui em Menlo Park, não medimos o progresso em especulações acadêmicas ou pânico europeu; medimos em horas de teste, dólares de patentes e quilômetros de rede elétrica. Enquanto os teóricos debatem o impacto das guerras, meus dínamos continuam girando e meus filamentos de bambu carbonizado iluminam as noites. A verdadeira riqueza não está no papelório das bolsas, mas no controle prático da infraestrutura. Se o futuro pertence à tecnologia, é porque estamos pavimentando esse caminho hoje com suor e agressividade comercial. Cada inovação que vejo nascer é apenas uma peça no tabuleiro. Se não pudermos superar um concorrente com engenharia implacável, nós o compraremos ou o esmagaremos nos tribunais. A utilidade comercial é a única verdade; o resto é ruído, tão inútil quanto a corrente alternada de Westinghouse. A inflação pode corroer moedas, e impérios podem brigar no deserto, mas a demanda por luz e força jamais recuará. Se os capitalistas do futuro entenderam que o valor reside nos laboratórios e nas fábricas, e não nas intrigas internacionais, então finalmente aprenderam a lição que tento ensinar aos meus investidores todos os dias. O único mercado seguro é aquele que conseguimos inventar, patentear e dominar.
Negócios · 09 de jul. de 2026
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