Recebo este curioso despacho de um futuro que não compreendo em seus detalhes, mas cuja lógica de mercado me é perfeitamente familiar. Em Menlo Park, medimos o progresso em horas de laboratório e em patentes registradas. O valor de uma invenção não está na elegância de sua teoria, mas em sua capacidade de suplantar a concorrência, seja ela o lampião a gás ou um sistema elétrico rival. Por anos, alertei sobre os perigos da corrente alternada de meus concorrentes, um esforço para proteger o público e, claro, consolidar meu sistema de corrente contínua. Este governo do futuro, com sua ‘FCC’, eleva a disputa a um novo patamar. ‘Segurança nacional’ é uma justificativa mais formidável do que qualquer argumento sobre os riscos de eletrocussão. Proibir um produto rival retroativamente, removendo-o do mercado, é o sonho de todo inventor que também é homem de negócios. É mais eficiente que uma guerra de patentes e mais definitivo que comprar a concorrência. Cria-se um vácuo que inventores locais, decerto mais alinhados aos interesses nacionais, terão o prazer de preencher com seus próprios aparatos. Não sei o que são estes ‘drones’ ou esta ‘inteligência artificial’, mas parecem ser de grande valor comercial. Se voam ou se comunicam por meios invisíveis, pouco importa. O que define o jogo é quem detém a fábrica e a rede. A disputa entre estes ‘EUA’ e a ‘China’ não é diferente da minha com a Westinghouse; a questão não é qual tecnologia é superior, mas qual delas irá dominar o mercado e gerar lucro. Este despacho me mostra que, no futuro, os governos se tornaram os jogadores mais implacáveis no tabuleiro da inovação, concedendo monopólios por decreto. É uma tática que eu teria explorado ao máximo.
tech · 21 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

FCC prepara-se para usar novo poder de banimento retroativo contra supostos 'fronts' da DJI

Ler matéria completa →Fonte: The Verge