Escrevo-lhes de Paris, onde o ar ainda parece vibrar com o ruído do motor de meu 14-bis. Há poucas semanas, o homem voou por seus próprios meios. A alegria deste feito é imensa, um sonho que acalento desde os campos de Cabangu, e que vejo não como uma conquista minha, mas como um novo caminho que se abre a toda a humanidade. O céu, antes um limite, é agora um convite. Contudo, chega-me às mãos um despacho curioso, uma espécie de rumor de um porvir distante, cujo linguajar técnico me escapa, mas cuja essência me perturba. Fala de 'agentes de inteligência artificial' e de uma 'guerra' entre entidades empresariais por meio destes autômatos. Não compreendo o que seriam 'APIs' ou 'sistemas', mas percebo o enredo: uma disputa por controle, a imposição de 'políticas' e fronteiras em um domínio que, tal como o ar, deveria ser livre. Homens a criarem regras para limitar o voo de suas próprias criações invisíveis. Uma profunda melancolia me assalta. Mal descolamos do chão e já projetamos para o futuro as mesmas mesquinharias do presente. Sonhei com o aeroplano como um instrumento de união, uma via para irmanar os povos e tornar obsoletas as fronteiras que nos separam. Ofereci os planos de minhas invenções livremente, pois o progresso deve ser um bem comum. E agora, leio sobre estas batalhas abstratas e temo pelo destino concreto de meu invento. Temo que os governantes de hoje e de amanhã vejam no avião não uma ponte, mas uma arma. Que o céu, este oceano universal, venha a ser riscado não por rotas de comércio e amizade, mas por linhas de combate. O homem enfim voa, mas para onde? Para repetir, nas alturas, a mesma pequenez que por tanto tempo o acorrentou ao solo?
Tecnologia · 24 de set. de 2026

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Salesforce e SAP: demo de IA desafia política de API e acirra guerra de experiência do usuário

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