Chegam-me aos ouvidos rumores de um tempo porvir, sussurros sobre uma 'inteligência artificial', uma mente forjada não por Deus, mas pelo homem. Falam de seus 'modelos' como se fossem projetos ou máquinas de pensar. A princípio, busco entender a natureza desta criação. Seria como os autômatos que desenho, mas movida não por engrenagens e contrapesos, e sim por uma lógica invisível, como a alma que busco no ventrículo do cérebro? O mais curioso, porém, não é a existência de tal engenho, mas a disputa em torno dele. Dizem que a nova contenda não é por criar o modelo mais perfeito, aquele que espelha o 'estado da arte', mas um que seja 'suficientemente bom' e de menor custo. Isso eu compreendo em minha própria carne. A arte da pintura exige a perfeição, a busca incessante pela luz e pela sombra que dão vida à tela, um trabalho que pode nunca terminar. Mas a arte da engenharia exige o possível. De que vale o mais engenhoso plano para desviar o Arno se seu custo o torna irrealizável? O movimento da água, a anatomia de uma asa, o músculo sob a pele – tudo obedece a princípios de eficiência. A natureza não desperdiça. Um pássaro voa não com a força de mil homens, mas com a forma precisa que aproveita o vento. Esta nova corrida, então, não é apenas sobre o poder, mas sobre a sabedoria de seu uso. É a diferença entre pintar um retrato para a eternidade e desenhar uma máquina de guerra que deve funcionar amanhã. A beleza reside em ambos. Se tais 'modelos' de pensamento podem ser feitos a baixo custo, significa que não servirão a um único príncipe, mas a muitos artífices e estudiosos. Que novas proporções e movimentos descobriremos quando a mente artificial for tão comum quanto o compasso e o esquadro?
tech · 25 de jul. de 2026
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