Chegou-me às mãos um despacho curioso, um rumor de um futuro distante que fala de 'inteligência artificial'. A princípio, soa como a retórica vazia de acadêmicos que nunca sujaram as mãos com graxa ou sentiram o calor de um forno. Uma máquina que 'conversa' com potenciais compradores de imóveis? Meu fonógrafo também fala, mas não me iludo: é uma ferramenta, um mecanismo de repetição. O valor não está na proeza, mas na sua utilidade comercial.
Contudo, o documento descreve a automação de tarefas. Isso, sim, é uma linguagem que compreendo. Em Menlo Park, meu método é este: milhares de experimentos, repetidos à exaustão por minha equipe, para encontrar um único filamento que funcione. Separamos o trabalho braçal da invenção. Este despacho sugere o mesmo princípio para o mercado imobiliário. Uma máquina executa o contato inicial, a parte repetitiva, enquanto o corretor se concentra no que exige discernimento e negociação: o financiamento.
Isso é eficiência. É a mesma lógica que aplico à minha rede elétrica: o dínamo gera a energia em massa, mas é a lâmpada individual, na casa do cliente, que completa o serviço. A máquina lida com o volume; o homem, com o valor. A questão que me coloco não é 'como essa IA funciona?', mas 'quem deterá a patente?'. Qualquer tecnologia que acelera o comércio em 79% — um número que me parece fantasioso, mas a ideia é sólida — representa um monopólio em potencial.
Que os teóricos debatam se a máquina 'pensa'. O que me interessa é se ela vende. Se essa ferramenta pode filtrar o joio do trigo, liberando os vendedores para fechar contratos, então seu inventor terá criado não uma curiosidade filosófica, mas uma formidável máquina de fazer dinheiro. E, no final, é o único teste que importa: o resultado medido em dólares e a velocidade com que se esmaga a concorrência. Todo o resto é fumaça.
Inovação · 31 de out. de 2026
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