Chega-me às mãos um escrito de natureza singular, um despacho de um tempo que não é o meu, falando de prodígios em uma 'Vivodyne'. Descreve um 'datacenter biológico', onde autômatos, como os que desenho, manejam milhões de fragmentos de corpos humanos. A mente vacila. Eu, que me furto à noite para desvelar, em um cadáver apenas, os segredos dos músculos e o percurso das veias, imagino esta cena: um exército de artífices mecânicos, incansáveis, a realizar meu trabalho em uma escala que desafia a razão. Eles afirmam que tal método supera o estudo dos animais. Nisso, vejo a lógica mais pura. Por que observar o reflexo no espelho quando se pode encarar a face? Sempre busquei a fonte primária, o motor original, seja no fluxo do Arno, que imita o sangue, seja na anatomia do pássaro para conceber o voo. Testar remédios diretamente no tecido do homem é saltar sobre o erro e a conjectura. A maior das maravilhas, porém, é a tal 'inteligência artificial'. Descrevem-na como uma mente que observa os resultados e extrai a verdade, uma nova forma de *saper vedere* – de saber ver. Eu busco padrões na turbulência da água e na geometria das sombras; esta 'IA' os encontraria em um milhão de vidas diminutas, lendo a linguagem do próprio corpo. A arte do pintor e a ciência do anatomista se nutrem da observação precisa da natureza. Esta máquina parece ser o olho supremo, um instrumento para decifrar a gramática da vida. Toda a mecânica do homem, suas proporções, suas reações, reveladas não mais por um bisturi solitário, mas por um engenho que pensa. Mas poderia tal engenho, ao decifrar a carne, apreender também a moção da alma que a anima?
Biotecnologia · 13 de ago. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Vivodyne e seu datacenter biológico para aposentar os testes em animais

Ler matéria completa →Fonte: Fast Company