Recebi um despacho de tempos vindouros, um sussurro sobre artífices de guerra de nome L3Harris. Fabricam projéteis que se movem por conta própria, “mísseis”, como os chamam. Imagino-os como pássaros de ferro e fogo, cuja anatomia desejo ardentemente dissecar. Seriam impulsionados pelo ar, como em meus projetos, ou por uma série de explosões controladas, o coração de um canhão batendo em ritmo acelerado para sustentar o voo? A máquina imita a vida. Sua propulsão, a força dos músculos; sua direção, a intenção da alma. Este “Aerojet Rocketdyne” soa a um engenho de força e movimento, uma nova forma de poder. O que me intriga, porém, não é apenas a mecânica da arma, mas a mecânica do seu valor. O patrono, um tal de “Pentágono” – o príncipe ou o conselho de guerra, suponho –, encomenda as máquinas em abundância, como um rio que corre forte. No entanto, os mestres da oficina, sob a guia de um certo Kubasik, recusam-se a vender participações de seu engenho no grande mercado. A razão é sutil: o juízo coletivo dos mercadores, a “avaliação”, não corresponde à demanda do príncipe. É como pintar um retrato para um Sforza, sabendo de sua satisfação, mas ver a obra ser subestimada pela guilda. O valor da invenção e o preço da matéria divergem. Este Kubasik age como um sábio engenheiro hidráulico: ele vê um canal de forte corrente (os contratos) que deságua num lago de nível baixo (o mercado). Em vez de liberar o fluxo, ele o represa, aguardando que as águas do apreço geral subam. A arte da guerra, então, não depende mais apenas do poder do patrono, mas também dos humores do corpo maior do comércio, um organismo cujas veias e artérias desconheço. Saber ver é o princípio de tudo.
space · 30 de jul. de 2026
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