Chegou-me às mãos um despacho curioso, um rumor de especuladores sobre o futuro. Trinta milhões de dólares por uma ideia, uma rodada “pré-seed” para uma empresa chamada Prophetic. Em Menlo Park, com tal quantia, eu não apenas financiaria um laboratório, mas construiria a infraestrutura de iluminação de uma metrópole, com dínamos, cabos e milhares de lâmpadas. O valor de uma inovação não se mede pela quantia que atrai, mas pela sua utilidade e pela receita que gera.
Falam de “robôs humanoides” e “inteligência artificial”. Ora, autômatos são curiosidades de salão há séculos. O que seria essa tal de IA? Uma máquina de calcular mais veloz? Um telégrafo que antecipa a mensagem? A teoria, sem aplicação prática, é um passatempo para acadêmicos. O progresso real está no filamento que brilha por mil horas, no fonógrafo que grava e reproduz a voz humana, em sistemas que podem ser patenteados, fabricados em massa e vendidos.
Estes senhores mencionados, Yann LeCun e Arthur Mensch, não me parecem tolos. Se investem capital tão vultoso, não é por fascínio filosófico. Eles enxergam um mercado a ser dominado, uma nova forma de trabalho a ser mecanizada e, consequentemente, uma patente de valor astronômico. A competição não está na construção de um homem de metal, mas no controle do sistema que o anima. É uma corrida, como a minha contra os fornecedores de gás.
Enquanto eles debatem sobre máquinas que pensam, eu continuo focado em sistemas que funcionam. Que me tragam um desses robôs quando ele for capaz de operar um dínamo ou inspecionar uma rede elétrica com mais eficiência que um homem. Até lá, para mim, não passa de um projeto no papel, um espetáculo caro. O futuro não pertence às ideias mais complexas, mas àquelas que, através de perseverança e transpiração, se provam indispensáveis e lucrativas.
Startups · 22 de out. de 2026
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