Em 1990, a espinha dorsal da economia americana era a manufatura, setor que mais empregava em 35 dos 50 estados. Em 2025, o cenário será irreconhecível: o setor de saúde e assistência social assumirá a liderança em 41 estados, consolidando uma das mais profundas transformações no mercado de trabalho do país em uma geração. A mudança drástica, mapeada pelo Visual Capitalist com base em dados do Bureau of Labor Statistics, não é apenas uma troca de posições, mas a crônica de duas Américas.
A primeira é a nação industrial, que perdeu espaço para a automação e a concorrência global. A segunda é uma economia de serviços, impulsionada por uma força interna e inegociável: a demografia. O envelhecimento da população e a crescente demanda por serviços médicos criaram um motor de empregos que a desindustrialização não conseguiu frear, redefinindo o que significa ser a maior economia do mundo.
O ocaso da fábrica
Na virada para os anos 90, a força da manufatura era visível de costa a costa, do cinturão industrial do Meio-Oeste, o chamado Rust Belt, a potências como Califórnia e Texas. Era o rescaldo da posição americana como a maior economia fabril do mundo. O varejo aparecia como o principal empregador em apenas 12 estados, majoritariamente em regiões de menor densidade populacional, como Montana e Dakota do Sul.
Em 35 anos, esse mapa foi quase inteiramente redesenhado. A ascensão do setor de saúde é avassaladora, passando de líder em zero estados em 1990 para 41 em 2025. O movimento reflete não apenas o declínio relativo da indústria, mas um crescimento absoluto e estrutural dos serviços de cuidado. Trata-se de uma economia mais voltada para dentro, com empregos que, em sua maioria, não podem ser exportados ou automatizados com a mesma facilidade que uma linha de montagem.
Exceções que confirmam a regra
Mesmo com a maré da saúde, algumas ilhas de especialização econômica resistem. A manufatura ainda será o principal setor em estados como Indiana e Wisconsin, mostrando a resiliência de certos polos industriais. Da mesma forma, o turismo continua a ser o motor de Nevada e Havaí, onde a hospitalidade se manteve como o maior empregador em ambas as épocas, agora acompanhado por Wyoming.
A transição, contudo, carrega implicações profundas. Empregos em manufatura, historicamente associados a sindicatos fortes e a uma porta de entrada para a classe média, dão lugar a um setor de saúde com uma vasta gama de salários e qualificações — de cirurgiões a cuidadores e auxiliares. A mudança no principal setor empregador do país é também uma história sobre a reconfiguração da própria classe média americana.
O mapa do emprego, portanto, é menos uma fotografia e mais um filme. Ele narra a história de uma nação que se adapta à globalização, ao seu próprio destino demográfico e à redefinição de sua identidade econômica, com consequências que ainda estão se desdobrando.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist





