A gigante global de seguros Axa traçou um plano ambicioso para o fim da década, projetando um crescimento anual do lucro por ação entre 7% e 9% para o período de 2027 a 2029. Batizado de 'Growing Forward', o novo plano estratégico prevê ainda a geração de €25 bilhões em caixa operacional e um retorno sobre o capital (ROE) entre 15% e 17% no mesmo intervalo.

Os números, divulgados pela companhia e reportados pela Forbes España, são mais do que um guia para investidores. Eles revelam uma tese central: a inteligência artificial deixará de ser uma ferramenta de otimização para se tornar um motor de receita e vantagem competitiva duradoura. Para uma incumbente do tamanho da Axa, a aposta é um sinal claro de como a tecnologia está redefinindo as bases do setor de seguros.

A IA como Vantagem Competitiva

O pilar mais disruptivo do plano 'Growing Forward' é a meta de gerar entre €500 milhões e €700 milhões em receitas antes de impostos com o uso de IA até 2029. A ambição, segundo a empresa, é integrar dados e inteligência artificial "ao longo de toda a sua cadeia de valor". Isso significa ir além da simples automação de processos, aplicando a tecnologia em áreas críticas como subscrição de riscos, precificação, gestão de sinistros e personalização da relação com os clientes.

A leitura aqui é que a Axa está tentando usar sua escala massiva para transformar capacidades de IA em uma barreira de entrada contra as ágeis insurtechs, que já nascem com tecnologia em seu DNA. Como afirmou Guillaume Borie, responsável global por Finanças e Estratégia, o objetivo é "levar nossa franquia ao próximo nível". O movimento busca converter disciplina técnica e dados em margens melhores e maior eficiência, pilares que sustentarão o crescimento orgânico projetado.

O plano 'Growing Forward' é um mapa para a próxima década, onde o sucesso não será medido apenas por apólices vendidas, mas pela capacidade de transformar dados em proteção e lucro. As projeções financeiras são ambiciosas, mas a direção estratégica é o fato mais relevante: a Axa não quer ser apenas uma seguradora, mas uma plataforma de gestão de risco habilitada por tecnologia. A questão que fica é se a execução interna conseguirá acompanhar a velocidade da disrupção externa.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España