A Zero, uma startup de Helsinque, levantou uma rodada seed de US$ 10,3 milhões para construir o que ela acredita ser o sucessor do CRM. O aporte foi liderado pelo fundo nova-iorquino Primary Venture Partners, com participação de investidores como os fundadores da Supercell e da Silo AI.

O capital financiará uma plataforma que se afasta do modelo de registro passivo de dados, comum em gigantes como Salesforce e HubSpot. A Zero está desenvolvendo um "sistema operacional de go-to-market" (GTM) onde agentes de inteligência artificial executam ativamente tarefas de vendas e gestão de clientes. A tese é que a era do software que depende da entrada manual de dados por equipes comerciais está com os dias contados.

O CRM como gargalo

O argumento central dos fundadores, Tuomo Riekki e Santtu Koivumäki, é que os CRMs atuais foram desenhados para uma era pré-IA. Eles funcionam como bancos de dados que exigem que as equipes comerciais gastem tempo precioso atualizando registros, em vez de interagindo com clientes. Segundo eles, a IA, até agora, tem sido uma camada aplicada sobre essa estrutura antiga, não uma mudança fundamental no paradigma.

A dupla sentiu essa dor na pele ao escalar a Smartly.io, empresa que ajudaram a levar a uma receita anual recorrente de US$ 100 milhões. A experiência de gerir equipes comerciais os convenceu de que o modelo estava quebrado. A proposta da Zero é inverter a lógica: o software deve fazer o trabalho, não apenas registrar o trabalho feito por humanos.

Da anotação à execução

A plataforma da Zero não se posiciona como um "CRM melhorado", mas como um sistema integrado que substitui um conjunto de ferramentas. Seus agentes de IA são capazes de construir listas de prospecção, disparar campanhas de e-mail, atualizar o status das negociações e monitorar a "saúde" de um cliente após a venda. O objetivo é permitir que um único profissional de GTM gerencie todo o ciclo de vida do cliente, com a IA executando as tarefas repetitivas.

A visão é ambiciosa. Uma das investidoras, Sara Wimmercranz da BackingMinds, chegou a comparar o CRM atual a uma "máquina de fax", sugerindo que a automação tornará o modelo obsoleto. Durante sua fase beta, um cliente da Zero relatou ter dobrado o volume de novos negócios, estimando que a plataforma elimina a necessidade de uma em cada três contratações na área de vendas.

Agora disponível publicamente, a Zero oferece uma migração assistida por IA para novos usuários. O movimento da startup representa uma das investidas mais radicais contra um dos pilares do software corporativo. A questão que fica é se as empresas estão prontas para abrir mão do controle manual de seus dados em troca da promessa de uma automação quase completa.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ArcticStartup