A Austrália confirmou que o vírus da gripe aviária H5N1 está sendo transmitido localmente entre sua população de aves nativas. A informação, divulgada pela ministra da Agricultura, Julie Collins, marca uma escalada preocupante desde que a cepa foi detectada pela primeira vez no país, em junho. A transmissão ocorreu entre aves da espécie trinta-réis-grande no estado da Austrália do Sul.
O fato representa a quebra de uma importante barreira de biossegurança. Por sua condição de ilha-continente, a Austrália vinha conseguindo se manter isolada da variante de alta patogenicidade do H5N1, que circula globalmente desde 2021. A leitura aqui é que, com a transmissão local confirmada, o desafio passa de interceptação para contenção, um cenário de risco muito mais elevado para o agronegócio e a saúde pública.
O fim do isolamento sanitário
Desde 2021, a atual onda de H5N1 dizimou milhões de aves selvagens e de produção em todos os continentes, com exceção da Oceania e da Antártida. A chegada e, agora, a disseminação interna na Austrália encerram um período de relativo isolamento sanitário. Segundo a ministra Collins, embora ainda não haja mortalidade em massa, a expectativa é de novas detecções na fauna silvestre local.
O avanço do vírus globalmente já demonstrou sua capacidade de adaptação, saltando para populações de mamíferos e, em casos raros, infectando humanos. A preocupação das autoridades australianas é que o padrão se repita. A presença do vírus em quatro estados do país sugere que a janela para erradicação pode já ter se fechado, forçando uma estratégia de convivência e mitigação de danos.
O risco para a avicultura e o mercado
A principal linha de defesa agora é evitar que o vírus salte da fauna silvestre para a avicultura comercial. Collins fez questão de frisar que, no momento, não há casos na indústria avícola. Para um grande exportador de produtos agrícolas, essa é a fronteira crítica. Um único caso em uma granja comercial pode desencadear abates em massa e, crucialmente, barreiras comerciais imediatas de países importadores.
O cenário é familiar ao Brasil, maior exportador de carne de frango do mundo, que tem conseguido manter seu status de livre da doença em granjas comerciais, apesar de múltiplos casos em aves silvestres no litoral. A experiência brasileira demonstra a complexidade e o custo de manter essa muralha sanitária. Para a Austrália, o teste está apenas começando, e a eficácia de seus protocolos de biossegurança será observada de perto pelo mercado global.
O avanço do H5N1 em território australiano é um lembrete da resiliência do vírus e da fragilidade das barreiras geográficas na era moderna. O sucesso ou fracasso das medidas de contenção no país servirá de lição para outras nações agrícolas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





