A pressão sobre a liderança da Target atingiu um novo patamar. Em um movimento que expõe as fissuras na governança da varejista, o SOC Investment Group, um investidor ativista, publicou uma contundente peça de opinião na Fortune exigindo a renúncia imediata de Brian Cornell, ex-CEO e atual Presidente Executivo do Conselho.

O argumento central é que Cornell é o principal arquiteto do declínio recente da companhia. A insatisfação não é isolada: na última assembleia de acionistas, quase 13% dos votos foram contrários à sua reeleição, um número expressivo em votações corporativas que costumam ter aprovação acima de 95%. Para os dissidentes, a permanência de Cornell no conselho, mesmo após deixar o cargo de CEO, sabota qualquer tentativa de uma renovação genuína na gestão.

A erosão da marca "Tarjay"

O descontentamento vai além das planilhas financeiras e toca na alma da marca. A Target construiu sua reputação como uma alternativa mais sofisticada e acolhedora aos seus pares, um lugar que equilibrava lucro com propósito. Segundo os críticos, essa imagem foi sistematicamente corroída sob a gestão de Cornell. A empresa, antes vista como líder em inclusão, recuou em pautas como a coleção Pride e iniciativas de diversidade após pressão política, alienando parte de sua base de consumidores mais leais.

Essa crise de identidade se soma a uma deterioração da experiência na loja. Clientes relatam corredores desorganizados, produtos em falta e filas longas, minando a percepção de "luxo acessível" que a marca cultivou. Enquanto rivais como Walmart e Costco navegaram as pressões inflacionárias com mais sucesso, a Target viu seu tráfego de clientes cair e as vendas encolherem em sete dos últimos doze trimestres fiscais, um sinal de que os problemas são mais profundos que as marés da macroeconomia.

Governança sob fogo

Para o SOC Investment Group, a raiz do problema está na governança. A decisão de manter Cornell como Presidente Executivo do Conselho, enquanto o novo CEO, Michael Fiddelke, é um veterano de 20 anos da casa, é vista como uma forma de preservar a influência do executivo responsável pelo fraco desempenho. A leitura é que a estrutura atual impede uma mudança de rota real, mantendo a velha guarda no poder.

Os investidores apontam que, em vez de investir na melhoria das operações, na retenção de talentos ou na cadeia de suprimentos, a gestão Cornell priorizou programas de recompra de ações que não geraram valor sustentável. Embora a nova gestão mostre sinais iniciais de recuperação, com aumento de tráfego e vendas digitais, a sustentabilidade dessa melhora é incerta.

O episódio recente de um item de Halloween retirado às pressas por ser considerado ofensivo apenas reforça a percepção de uma empresa que perdeu o rumo. A questão que fica para o conselho não é apenas sobre o futuro de um executivo, mas sobre a disposição de romper com o passado para reconstruir a confiança do mercado e dos consumidores. A bola está com o board: provar que entendeu a gravidade da situação ou arriscar uma crise ainda mais profunda.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune