O arquiteto japonês Kengo Kuma foi nomeado o vencedor do prêmio Andrée Putman Lifetime Achievement Award de 2027, a mais alta honraria concedida pela Créateurs Design Association & Awards (CDA). A cerimônia de entrega está marcada para 16 de janeiro de 2027, em Paris.

Segundo reportagem da revista Dezeen, a escolha de Kuma não se deve a um único projeto, mas ao conjunto de uma obra que, há mais de três décadas, busca responder a uma questão central: como a arquitetura pode restaurar a relação entre as pessoas e o mundo natural. A premiação consagra uma filosofia que se contrapõe à monumentalidade pela monumentalidade, propondo um caminho de integração e diálogo com o entorno.

A natureza como método

Para Kuma, a arquitetura não é uma imposição sobre a paisagem, mas uma extensão dela. Sua prática é marcada pelo uso de materiais naturais, como madeira e bambu, e por uma sensibilidade que mescla técnicas tradicionais japonesas com uma linguagem contemporânea. O resultado são edifícios que parecem respirar com o ambiente, como o Estádio Nacional de Tóquio, construído para os Jogos Olímpicos de 2020, ou o museu V&A Dundee, na Escócia.

A consistência dessa visão é o que a CDA celebra. O próprio Kuma se descreve como um "corredor de longa distância", focado em um único objetivo: "alcançar a harmonia entre os seres humanos e a natureza". O prêmio, portanto, não é um ponto de chegada, mas o reconhecimento de uma busca contínua, que influenciou uma geração de arquitetos a pensar para além do concreto e do aço.

Um legado de diálogo

Ao receber a honraria, Kuma se junta a um panteão de gigantes da arquitetura, como Norman Foster e Tadao Ando, laureados em edições anteriores. A escolha sinaliza um alinhamento do setor com pautas urgentes de sustentabilidade e bem-estar, valorizando abordagens que são esteticamente refinadas e ecologicamente conscientes.

O prêmio leva o nome da designer francesa Andrée Putman, que personificou o diálogo entre tradição e modernidade. A conexão é precisa: o trabalho de Kuma opera nessa mesma intersecção, provando que o respeito pela história e pelo meio ambiente não é um obstáculo à inovação, mas sua principal matéria-prima.

Num momento em que o debate sobre o futuro das cidades se intensifica, a obra de Kuma oferece um contraponto poderoso. Sua consagração sugere que a arquitetura mais relevante do século 21 talvez não seja a que grita mais alto, mas a que melhor sabe ouvir e se integrar ao mundo ao seu redor.

Source · Dezeen