Uma nova pesquisa de intenção de voto para a presidência em 2026, divulgada nesta terça-feira, mostra um cenário de acirramento e desgaste para o governo. Segundo o levantamento do instituto Futura em parceria com a Apex, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão em situação de empate técnico tanto no primeiro quanto no segundo turno.
No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 40,1% das intenções de voto, contra 36,8% de Flávio Bolsonaro. Considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais, a diferença configura um empate. A leitura se repete em uma simulação de segundo turno, com Lula marcando 46,3% e o senador, 46,1%. Os dados indicam uma queda para o presidente e uma ascensão para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação à pesquisa anterior, de junho.
A cristalização dos polos
Mais do que um retrato momentâneo, a pesquisa sugere a cristalização de uma dinâmica que marcou o pleito de 2022: a profunda polarização. Nomes que tentam se posicionar como uma terceira via, como os governadores Ronaldo Caiado (5%) e Romeu Zema (3,7%), aparecem com percentuais marginais, incapazes, por ora, de romper a barreira dos dois campos políticos dominantes.
A análise dos dados de rejeição reforça essa tese. Lula enfrenta uma rejeição de 47,6%, enquanto Flávio Bolsonaro é rejeitado por 45,4%. São números elevados para ambos os lados, indicando que a disputa, se confirmada nesses termos, seria novamente decidida por uma parcela pequena do eleitorado e pelo peso do sentimento anti-petista versus o anti-bolsonarista.
O termômetro do governo
Talvez o dado mais crítico para o Palácio do Planalto não seja o empate em si, mas a inversão na avaliação do governo. Pela primeira vez na série histórica da Futura/Apex, a desaprovação da gestão de Lula (49,7%) superou a aprovação (46%). Em junho, os números eram inversos, com 49,7% de aprovação e 46% de desaprovação.
Essa virada é um sinal de alerta para a administração federal. A erosão da popularidade, ainda que dentro da margem de erro em alguns recortes, limita o capital político do governo para avançar sua agenda no Congresso e para construir uma narrativa positiva. O cenário de 2026, embora distante, está intrinsecamente ligado à capacidade do governo de reverter essa tendência de desgaste nos próximos dois anos.
A fotografia de julho de 2024 mostra que a eleição presidencial de 2026 começa onde a de 2022 terminou. A questão que permanece em aberto é se o roteiro se repetirá ou se novos fatores — econômicos, políticos ou sociais — conseguirão alterar o eixo que hoje divide o país.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times




