O mercado de energia limpa viu um movimento estratégico relevante nesta semana. A empresa de engenharia espanhola Técnicas Reunidas anunciou a conquista de um contrato para o desenvolvimento de uma nova planta de amônia verde na África do Sul, um projeto liderado pela Hive Hydrogen South Africa (HHSA). A notícia, divulgada durante o Africa Green Hydrogen Summit em Cidade do Cabo, fez as ações da companhia subirem quase 4% na bolsa espanhola.

O otimismo dos investidores não se deve apenas a um novo contrato, mas ao que ele representa: um passo concreto na construção da infraestrutura global para o hidrogênio verde. O projeto sul-africano, com investimento previsto de US$ 1,8 bilhão, evidencia a crescente conexão entre a demanda europeia por energia limpa e o potencial de produção em mercados emergentes, especialmente na África.

A arquitetura da transição

O acordo prevê, inicialmente, que a Técnicas Reunidas realize a engenharia do projeto. A expectativa, contudo, é que o contrato evolua para um modelo EPC (engenharia, aquisição e construção) completo assim que a Decisão Final de Investimento (FID) for tomada pela HHSA. Este modelo faseado é uma prática comum em projetos de grande escala, permitindo mitigar riscos e garantir a viabilidade técnica antes do desembolso de capital massivo.

A planta, que será localizada na Zona Econômica Especial de Coega, próxima ao porto de Ngqura, tem uma meta ambiciosa: produzir cerca de um milhão de toneladas de amônia verde por ano. A localização é estratégica, visando abastecer tanto o mercado doméstico quanto a exportação, posicionando a África do Sul como um futuro hub na cadeia de suprimentos de combustíveis verdes.

O eixo Europa-África

Este contrato é mais um tijolo na construção de um novo eixo energético entre Europa e África. Enquanto a Europa busca acelerar sua descarbonização e garantir segurança energética com alternativas aos combustíveis fósseis, países africanos com vastos recursos solares e eólicos se posicionam como fornecedores estratégicos. A amônia verde, um derivado do hidrogênio, é vista como essencial para descarbonizar setores de difícil eletrificação, como o transporte marítimo e a indústria pesada.

Para a Técnicas Reunidas, o projeto representa a consolidação de sua expertise em um setor de vanguarda. Para a África do Sul, é uma oportunidade de atrair investimento estrangeiro e se desenvolver como um polo de tecnologia limpa. O movimento ilustra como a transição energética está redesenhando não apenas matrizes elétricas, mas também alianças geopolíticas e fluxos de capital globais.

O sucesso de empreendimentos como este será um termômetro para a velocidade e a forma da descarbonização global. Mais do que um projeto de engenharia, é um teste para a viabilidade econômica e logística da nova economia do hidrogênio.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España