A agência meteorológica da Espanha (AEMET) emitiu um novo alerta para o retorno do calor intenso em grande parte do país a partir desta semana. O alívio nas temperaturas do último fim de semana foi breve, e o cenário aponta para o que pode ser a quarta onda de calor do verão europeu, com termômetros superando os 40ºC em diversas localidades.

Segundo reportagem do portal Xataka, o fenômeno é causado por uma intrusão de ar muito quente vinda do norte da África, que forma um 'domo de calor' sobre a Península Ibérica. O quadro é tão significativo que, segundo a AEMET, julho de 2024 pode empatar com julho de 2022 como o mês mais quente já registrado na Espanha. O evento atual não é um ponto fora da curva, mas a consolidação de uma tendência.

O que é o 'domo de calor'

O termo, que tem se tornado comum no vocabulário climático, descreve um fenômeno meteorológico específico. Uma dorsal anticiclônica subtropical se fortalece e estaciona sobre a geografia espanhola, agindo como uma tampa de alta pressão. Essa 'tampa' empurra o ar quente para baixo, aprisionando-o e comprimindo-o contra a superfície.

O resultado é um reaquecimento progressivo da atmosfera, sem possibilidade de ventilação. Para agravar o quadro, essa massa de ar chega carregada de poeira em suspensão vinda diretamente do deserto do Saara, o que deteriora a qualidade do ar e intensifica a sensação de abafamento. Não se trata apenas de calor, mas de um ambiente estagnado e sufocante.

Frequência e intensidade

A escalada térmica será rápida. A previsão é que as temperaturas superem em mais de 4ºC a média para esta época do ano em várias regiões. Cidades como Sevilha, Jaén e Badajoz devem ultrapassar a barreira dos 40ºC com facilidade. O pico é esperado para a sexta-feira, quando a região de Córdoba pode registrar até 44ºC.

Tecnicamente, a AEMET ainda não classificou o episódio como uma 'ola de calor' oficial, pois para isso são necessários critérios rigorosos de intensidade, extensão territorial e duração mínima de três dias. Contudo, para a população, a semântica importa menos que a realidade. A frequência desses eventos extremos desloca o debate da classificação para a adaptação: como conviver em um clima onde o calor extremo se torna a nova normalidade do verão.

Além do calor, há previsão de tempestades localmente intensas, adicionando uma camada de instabilidade ao cenário. A questão que fica não é apenas como atravessar a próxima semana, mas como redesenhar a vida urbana e a infraestrutura para um futuro que já se impõe.

Source · Xataka