A FIFA está contra-atacando a UEFA em tribunais americanos, classificando a ofensiva legal da confederação europeia como uma “campanha de difamação” com um “defeito fundamental”. A disputa, que se desenrola em cortes de três estados americanos, é o mais novo e agudo capítulo da guerra de poder que consome a cúpula do futebol mundial.
Segundo reportagem do Front Office Sports, a UEFA não processou a FIFA diretamente. Em vez disso, iniciou uma manobra estratégica: abriu quatro processos judiciais nos EUA para intimar e obter informações de parceiros envolvidos no plano fracassado de vender participações na Copa do Mundo a investidores externos, um projeto conhecido como FIFA Forward Enterprise (FFE). O objetivo final da UEFA é levar as informações às autoridades suíças na esperança de instigar acusações criminais contra o presidente da FIFA, Gianni Infantino.
O ringue americano
A resposta da FIFA foi imediata. A entidade entrou com moções para intervir nos processos, argumentando que a UEFA não deveria ter permissão para usar as cortes americanas para uma “pescaria probatória” com base em uma “conexão especulativa com qualquer processo legal”. Para a FIFA, o processo criminal suíço que a UEFA alega querer subsidiar “não existe”, e a confederação europeia não teria autoridade para iniciá-lo. A FIFA também alega que a UEFA não sofreu prejuízo financeiro com a proposta da FFE, um requisito para a acusação de “gestão criminosa” que a entidade europeia pretende levantar na Suíça.
No centro do fogo cruzado estão figuras de peso do mundo dos negócios, intimados pela UEFA. Entre eles estão Josh Kushner e sua firma de venture capital Thrive Capital, o principal investidor proposto para o FFE, além do banco J.P. Morgan e do executivo Greg Maffei. Em uma declaração ao Axios, Kushner expressou arrependimento: “Se soubéssemos no que isso se transformaria, não teríamos nos envolvido”, afirmando ter subestimado “a dinâmica política do futebol global”.
Mais que um jogo, uma guerra por poder
A briga judicial é o ápice de anos de tensões crescentes entre a FIFA de Infantino e a UEFA, presidida por Aleksander Čeferin. A relação, já desgastada, deteriorou-se publicamente após a UEFA e seus países membros ameaçarem um boicote a todos os torneios da FIFA caso o controverso plano de investimento da FFE fosse adiante. Mesmo após o colapso do plano, a hostilidade permaneceu.
Do lado da UEFA, a justificativa para a ação drástica é a percepção de que o FFE foi uma manobra “secreta” para que Infantino e seu círculo íntimo adquirissem “uma participação permanente e lucrassem com os ativos mais valiosos da FIFA”. A confederação europeia questionou publicamente a avaliação “absurdamente baixa” de US$ 20 bilhões para a nova entidade comercial, enxergando no episódio um sintoma da má governança que, segundo ela, aflige a entidade máxima do futebol.
O campo de batalha legal escolhido, os Estados Unidos, não é acidental. É um movimento que visa usar um sistema judicial estrangeiro para pressionar a governança em Zurique. Independentemente do mérito legal, a disputa expõe uma fratura profunda no topo do esporte mais popular do mundo, colocando em xeque não apenas a liderança de Infantino, mas o próprio futuro da arquitetura de poder e do modelo de negócios do futebol global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Front Office Sports





