A avalanche de manchetes sobre inteligência artificial pode levar a duas conclusões extremas: ou a tecnologia transformará o mundo da noite para o dia, ou é apenas uma bolha de hype. A realidade, no entanto, parece ser mais sóbria. Segundo uma análise da Fast Company, a adoção de IA no mundo corporativo avança de forma constante, mas a um ritmo muito mais lento do que se imagina.

O estudo, que usou um modelo de linguagem para analisar os relatórios financeiros de empresas do S&P 500, mostra que menos de um quarto delas havia integrado a IA profundamente em seus negócios até o final do ano passado. A leitura é clara: a revolução é uma maratona, não um sprint, e a maior parte da economia ainda está nos primeiros quilômetros.

O abismo entre o piloto e a produção

Não surpreende que o setor de tecnologia concentre dois terços das implementações avançadas de IA. Fora dessa bolha, em setores que compõem 90% da economia americana, a história é outra. Apenas um punhado de empresas não-tech, como Moderna e Mastercard, alcançou uma implementação completa. Para as demais, a IA ainda vive na fase de projetos-piloto, onde muitos falham e poucos escalam. Fatores como o alto custo dos modelos e a precisão ainda insuficiente para tarefas complexas funcionam como um freio de mão.

Ainda assim, o valor a ser destravado é imenso, especialmente em operações de grande escala e baixa margem. A Fast Company cita o exemplo de uma rede de supermercados, onde a IA pode otimizar a previsão de demanda para milhões de produtos, ou de uma construtora, usando a tecnologia para gerenciar orçamentos e cronogramas. O ganho de eficiência será grande demais para ser ignorado, empurrando as empresas para além de usos triviais como gerar textos com o ChatGPT.

A tecnologia melhora a cada dia, e os modelos se tornam mais capazes. A questão não é se, mas quando a adoção se generalizará. O maior desafio, contudo, pode não ser técnico, mas organizacional: reestruturar processos e preparar equipes para uma nova forma de trabalhar. A mudança não será instantânea, mas é inexorável.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company