O Banco Santander está recorrendo ao seu próprio quadro de funcionários para encontrar o futuro de suas operações em inteligência artificial. Através de uma iniciativa global batizada de ‘Santander Innovation Challenge’, a instituição financeira filtrou mais de 3.400 ideias internas para selecionar 12 projetos que avançarão para uma fase de desenvolvimento. O objetivo, segundo reportagem da Forbes España, é usar a expertise de quem está na linha de frente para gerar inovações práticas em IA, dados e automação.

Mais do que um exercício de engajamento corporativo, o movimento sinaliza uma estratégia pragmática. Em vez de depender exclusivamente de laboratórios de P&D ou de aquisições de startups, o Santander aposta em uma abordagem de inovação distribuída. A tese é que os funcionários que lidam diretamente com clientes e processos internos são os mais qualificados para identificar gargalos operacionais e oportunidades de negócio onde a tecnologia pode gerar valor real e imediato.

Da ideia ao funil

O processo foi desenhado como um funil rigoroso: das 3.401 ideias submetidas, 2.370 foram propostas completas, que levaram a 141 semifinalistas e, por fim, aos 12 projetos vencedores. As iniciativas vêm de diversas geografias e unidades de negócio, incluindo Brasil, México, Espanha e áreas como Openbank, Getnet e a divisão de Corporate & Investment Banking (SCIB).

Os projetos selecionados refletem um foco em problemas concretos. Um exemplo é o ‘Fynn by Santander’, um assistente de IA para pequenas e médias empresas (PMEs) desenhado para analisar dados financeiros e antecipar necessidades de caixa. Outro, o ‘AI Squad’, propõe um time de agentes de IA para acelerar o design de novos produtos, simulando análises de negócio, risco e compliance. A abordagem busca resolver dores específicas, não explorar a tecnologia por si só.

O desafio da integração

Agora, os 12 times vencedores entram na fase mais crítica: transformar o conceito em produto. Eles trabalharão com patrocinadores de negócio para definir escopo, métricas de sucesso e necessidades de dados. Este é o ponto onde muitas iniciativas de inovação corporativa falham — a transição da ideia para a complexa estrutura de um gigante financeiro.

Para o Santander, assim como para incumbentes brasileiros como Itaú e Bradesco, que também investem pesado em inovação, o desafio não é gerar ideias, mas sim integrá-las à operação. A capacidade de transformar esses 12 projetos em soluções escaláveis e lucrativas será o verdadeiro teste para a estratégia do banco. O sucesso não será medido pelo número de propostas, mas por quantos desses pilotos chegarão, de fato, ao mercado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España