“Eu só quero te abraçar para sempre.” As palavras, ditas por um filho de três anos, pareciam capazes de congelar o tempo. Naquele instante, a mãe sabia que o momento era finito; que um dia, o mundo lá fora se tornaria mais interessante que seus braços. Oito anos depois, a memória daquele abraço ainda pulsa, reavivada diariamente pelos algoritmos que resgatam fotos de um passado que já não existe.

É um mundo de pés minúsculos, piqueniques no parque e fantasias de super-herói que retorna em um nevoeiro nostálgico. Por um instante, a vontade é de voltar, de ser novamente o centro do universo de alguém. Mas a memória é seletiva. Logo em seguida, vêm as lembranças das noites em claro, dos resfriados constantes, da fúria provocada por uma soneca perdida. A doçura do amor incondicional era mágica, mas a realidade era exaustiva.

Hoje, com os filhos aos 15 e 11 anos, a maternidade nunca foi tão serena, como relata a autora em um ensaio para o Business Insider. O mais velho prepara o próprio café da manhã e vai para a escola de forma autônoma. O mais novo, autor da antiga declaração de afeto eterno, segue os passos do irmão, e seus abraços, embora mais raros, mantêm o mesmo conforto. A dinâmica mudou: a mãe, antes protetora onipresente, agora é uma interlocutora em conversas sobre a vida. O menino que ela protegia agora a acompanha por corredores escuros, esperando do lado de fora do banheiro.

Recentemente, ao passar por um pai lidando com a birra de uma criança pequena, ela e o marido trocaram um sorriso cúmplice. Era o sorriso de quem está do outro lado da trincheira, com as marcas das batalhas — as fraldas, os choros, os medos — gravadas para sempre no rosto. Os primeiros anos foram especiais e desafiadores. Mas, embora a vontade de beijar novamente aqueles meninos pequenos permaneça, a satisfação de estar aqui, com os filhos mais velhos, é uma descoberta inesperada. É uma fase da maternidade que ela nunca soube que existia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider