A China traçou um plano ambicioso para diminuir sua vulnerabilidade na guerra dos chips. Segundo um relatório do Goldman Sachs, o país pode reduzir seu déficit entre oferta e demanda de semicondutores avançados de 92% em 2025 para 34% até 2035.

O movimento é uma resposta direta às sanções impostas pelos Estados Unidos, que visam frear o avanço tecnológico chinês. A meta não é apenas econômica, mas geopolítica: construir uma soberania em silício que blinde sua indústria de pressões externas.

A estratégia de duas frentes

No curto prazo, a tática é de adaptação. A SMIC, maior fabricante de chips do país, em parceria com a Huawei, está usando uma técnica de 'multiple patterning' para produzir chips de 7nm com equipamentos de litografia de ultravioleta profundo (DUV), mais antigos. A solução é engenhosa, mas insustentável para competir em nós de processo abaixo de 5nm.

O verdadeiro jogo está no longo prazo: o desenvolvimento de suas próprias máquinas de litografia de ultravioleta extremo (EUV), tecnologia hoje monopolizada pela holandesa ASML. A Huawei coordena um esforço nacional que envolve institutos de pesquisa e a integradora SMEE, com um protótipo já em laboratório. A expectativa é ter produção comercial entre 2028 e 2030.

Redefinindo o mapa tecnológico

As projeções do Goldman Sachs, citadas em reportagem do Xataka, indicam um crescimento anual composto de 46% na oferta de wafers avançados na China até 2035. Mesmo com esse ritmo, a autossuficiência completa não seria atingida, com uma produção projetada de 410 mil wafers mensais contra uma demanda de 619 mil.

O movimento sugere, no entanto, um objetivo que vai além dos números. A meta chinesa parece ser menos a paridade imediata e mais a criação de um ecossistema tecnológico paralelo e resiliente. Ao dominar a cadeia produtiva, de equipamentos a design, a China não apenas mitiga o risco de sanções, mas também se posiciona para ditar padrões em sua esfera de influência.

O resultado dessa empreitada definirá não apenas o futuro de sua indústria, mas a própria arquitetura do poder tecnológico global na próxima década. A questão não é se a China terá sucesso, mas a que custo e em qual prazo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka