O que era um recife submerso há menos de um ano é hoje uma ilha artificial de 607 hectares, o equivalente a 850 campos de futebol. Em apenas dez meses de dragagem contínua, a China transformou Antelope Reef, no Mar do Sul da China, em um fato consumado geopolítico. Imagens de satélite, analisadas em uma reportagem do site Xataka, revelam uma nova e robusta base em construção em uma das áreas marítimas mais disputadas do planeta.

A velocidade e a escala do projeto demonstram um salto na capacidade de engenharia chinesa, superando em muito o tempo necessário para construir ilhas similares na região das Spratly há uma década. A engenharia, aqui, é um meio para um fim estratégico.

A infraestrutura da soberania

A nova ilha não é apenas um monte de areia. O projeto já inclui a preparação de uma pista de pouso de 3.000 metros, compatível com grandes aviões militares, e um porto que, segundo a Reuters, já recebeu embarcações da Guarda Costeira chinesa. Hangares, helipontos e edifícios administrativos completam a infraestrutura que aponta para um posto militar avançado, não para as instalações "civis e comerciais" mencionadas pela mídia estatal chinesa.

A localização é chave. Antelope Reef faz parte das Ilhas Paracel, ocupadas pela China mas reivindicadas por Vietnã e Taiwan. A base estende o alcance dos radares e sensores de Pequim, oferecendo um aeródromo e um porto avançado perto de suas principais instalações navais em Hainan. O movimento segue um padrão conhecido: em 2015, o presidente Xi Jinping prometeu não militarizar ilhas artificiais na região, mas hoje elas formam uma rede de postos avançados que projetam o poder chinês.

A construção em Antelope Reef não é uma surpresa, mas uma confirmação. A cada tonelada de areia dragada, Pequim reescreve não apenas a geografia, mas as regras de poder no Indo-Pacífico, tornando cada vez mais difícil reverter sua presença militar na região.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka