Um dos destaques da mais recente edição da mostra “Greater New York”, no MoMA PS1, não trabalha com bronze ou mármore, mas com papel alumínio. As esculturas de animais do artista Dean Millien, de Brooklyn, estão atraindo atenção pela complexidade e expressividade que extraem de um material encontrado em qualquer cozinha.
A validação de uma instituição como o MoMA PS1 joga luz sobre uma trajetória artística que floresceu fora dos circuitos comerciais e acadêmicos. Millien é um artista autodidata cuja prática nasceu de uma necessidade visceral, e não de um plano de carreira. Sua história, conforme detalhado em perfil do site Hyperallergic, é um estudo sobre como o impulso criativo pode subverter limitações materiais e de contexto.
A Gênese no Alumínio
Nascido em 1972, filho de imigrantes haitianos, Millien encontrou sua vocação a partir de uma perda. Quando criança, após seu pai ter descartado todos os seus brinquedos em um momento de frustração, ele começou a fabricar os seus próprios. O material escolhido, após experimentações com outros itens, foi o papel alumínio — acessível, durável e maleável. O que começou como uma substituição para um afeto perdido tornou-se o centro de sua linguagem artística.
Essa origem informa um trabalho que é ao mesmo tempo instintivo e estudado. Millien, que cresceu com uma deficiência de desenvolvimento, menciona que sua intuição sempre foi seu principal guia. Ainda assim, ele busca referências na história da arte, citando Marcel Duchamp como uma inspiração para expandir sua mente. É um equilíbrio delicado: absorver a tradição sem deixar que ela sufoque a voz autêntica que emergiu daquela primeira necessidade de criar.
A presença de Millien no MoMA PS1 é mais do que o reconhecimento de um talento individual. É um aceno institucional para a arte que prospera nas margens, impulsionada por uma urgência que não pede permissão ao mercado ou à academia. Suas esculturas de alumínio, moldadas com as mãos, carregam o peso dessa resiliência, transformando um item doméstico e descartável em um objeto de permanência e admiração.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hyperallergic





