A revista britânica The Economist, uma das mais influentes do mundo, publicou uma dura análise sobre a crise institucional que consome o Supremo Tribunal Federal (STF). O estopim é o chamado caso Banco Master, que colocou os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em rota de colisão, mas o diagnóstico da publicação é mais profundo: o desgaste da Corte se tornou um risco para a própria democracia brasileira, talvez maior do que os ataques diretos de Jair Bolsonaro.

Segundo a reportagem, que repercutiu um artigo da Economist, o capital institucional que o STF acumulou ao enfrentar a corrupção sistêmica e os questionamentos ao resultado eleitoral de 2022 está se esvaindo. A tese é que a crise, agora, não vem de fora, mas de dentro. “A maior perdedora seria a democracia brasileira”, afirma a revista, apontando que a confiança na mais alta corte do país, antes um pilar, “está se desgastando”.

O capital institucional em chamas

O cerne da análise da The Economist é a transformação de figuras antes vistas como defensoras da democracia em protagonistas de um “escândalo de corrupção feio e em constante expansão”. O foco recai sobre Alexandre de Moraes. A publicação reconhece seu papel na responsabilização de Bolsonaro pela tentativa de golpe, mas pondera que o ministro tomou “várias decisões questionáveis” no processo, como no âmbito do inquérito das fake news.

O que muda o cenário, para a revista, são as investigações sobre o Banco Master. Registros da Polícia Federal que indicam contato entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, são vistos como um ponto de inflexão. A percepção de uma relação próxima entre um poderoso ministro e um banqueiro investigado é descrita como problemática. A crise se agrava com a disputa entre Moraes e André Mendonça, relator do caso no STF, que levou o conflito para o centro do plenário.

Uma crise de todos os lados

O embate escalou quando Moraes pediu que a atuação de Mendonça fosse investigada por supostas irregularidades e motivação política. A The Economist considera que as objeções podem ter fundamento, mas também aponta as decisões controversas do próprio Mendonça, como o pedido de afastamento do diretor-geral da Polícia Federal. A revista recorda que, quando ministro da Justiça de Bolsonaro, Mendonça supervisionou a produção de um dossiê contra adversários do governo.

Essa troca de acusações, segundo a análise, cria um imbróglio processual que pode ter uma consequência drástica: fornecer a justificativa legal para anular toda a investigação sobre o Banco Master. Tal desfecho beneficiaria diretamente figuras políticas ligadas a Vorcaro, como o senador Flávio Bolsonaro. O artigo lembra que, após negar conhecer o banqueiro, áudios revelaram o senador pedindo recursos a ele.

O momento da crise, em plena campanha presidencial, amplifica o risco. O desgaste do Supremo pode alimentar a desconfiança do eleitorado nas instituições que garantem a lisura do processo democrático. A conclusão da revista britânica é um alerta severo: “a corrupção no coração de suas instituições pode minar a confiança na democracia mais do que Jair Bolsonaro jamais fez”.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney