A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares para financiar o filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado federal e ex-secretário da Cultura, Mário Frias (PL-SP), está entre os alvos de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), mira o que os investigadores descrevem como uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. A tese é que recursos públicos, repassados a uma organização da sociedade civil, foram direcionados a empresas de fachada sem a devida comprovação dos serviços, configurando um complexo esquema de desvio.
O roteiro sob suspeita
No centro da apuração está o Instituto Conhecer Brasil, de propriedade de Karina Gama, produtora de "Dark Horse" e também alvo das buscas. Segundo a PF, a organização recebia os valores via emendas e subcontratava empresas de forma irregular, levantando suspeitas sobre a efetiva prestação dos serviços que justificariam os pagamentos. A investigação apura crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e delitos licitatórios.
O escopo da operação sugere que o filme pode ser apenas a ponta do iceberg. De acordo com a corporação, a análise das movimentações financeiras revelou que empresas ligadas ao esquema movimentaram valores na casa das "centenas de milhões de reais", indicando uma estrutura robusta e possivelmente mais ampla do que o projeto cinematográfico isoladamente.
Um enredo político
O caso transcende a esfera criminal e se insere diretamente na recente crise institucional entre o STF e a cúpula da Polícia Federal. Ao determinar a recondução do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o ministro Flávio Dino citou expressamente as diligências relacionadas ao filme como um dos motivos para sua decisão, argumentando que a troca no comando poderia comprometer investigações sensíveis sob sua relatoria.
Essa conexão transforma a Operação Make Up em um elemento central na disputa de poder em Brasília. A investigação, que já seria politicamente delicada por envolver aliados do ex-presidente, agora ganha uma camada extra de complexidade. Seus desdobramentos serão observados não apenas pelo mérito jurídico, mas também como um termômetro da autonomia da PF e das tensões no Judiciário.
A operação, batizada de "Make Up" (maquiagem, em inglês), avança para descobrir o que há por trás da fachada de um projeto cultural que, agora, se torna um roteiro policial. O resultado irá testar as fronteiras entre fomento à cultura, patronagem política e o uso de dinheiro público, com um desfecho que pode ter implicações muito além das telas de cinema.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





