Sabrina Popo não era uma avó comum. Vivia sozinha no sul da Califórnia, orquestrando uma rotina social vibrante que incluía idas a buffets de dim sum, aulas de dança de salão para idosos e sessões de mahjong com amigas. Para conseguir um momento com ela, era preciso ser "agendado" em sua concorrida agenda. Apesar de ter passado 45 anos nos Estados Unidos, Sabrina Popo não sentia a necessidade de aprender inglês, pois residia em San Gabriel, uma comunidade predominantemente chinesa. Contudo, em momentos de intimidade, ela surpreendia com termos como "se-do-be-ley" – sua pronúncia cantonesa para morango – ou "Roshi", uma adaptação do nome de seu neto, Yoshi. Ela possuía um apreço singular por tudo que era belo: rosas de jardim em tons de rosa empoeirado, pessoas bonitas, pele impecável e, especialmente, pessoas bonitas com pele impecável. A avó podia ser vista, em tardes de sol, usando uma viseira exagerada, reminiscente de um "Darth Vader asiático", enquanto cuidava de seu jardim. Normalmente, a preocupação com a aparência pública era grande, mas quando se tratava de proteger sua pele de porcelana, qualquer medida era válida. Ao buscar seus netos na escola, dirigia um carro com vidros escuros e opacos, usando luvas brancas compridas que cobriam seus braços até os cotovelos. Com uma aparência que a fazia parecer vinte anos mais jovem que sua idade real, recebia propostas de casamento de diferentes admiradores a cada poucos meses. Sua graciosidade era temperada com um toque de humildade, e sua elegância, com uma dose de vaidade – características que a tornavam querida por sua família.

O Legado da Tradição e a Busca por Liberdade

Durante o Ano Novo Lunar, a casa de Sabrina Popo se transformava em um cenário de fartura e celebração. Taças de kumquats e laranjas tangerinas, moedas de chocolate douradas, doces de sementes de gergelim e pedaços de melão cristalizado, reservados especialmente para a neta, adornavam a residência. A experiência de "retirada de afeto", que marcou a infância de seus pais, era uma narrativa comum na cultura chinesa, onde o "amor duro" era a única forma de amor ensinada. Steph e a autora, suas netas, recitavam provérbios cantoneses memorizados durante o ano, na esperança de impressionar os adultos e acumular o máximo de envelopes vermelhos com "dinheiro da sorte". "Sum seung si sing 心想事成", diziam, guardando o melhor para o final. "Sum seung si sing 心想事成", repetia Sabrina Popo, entregando um envelope vermelho com ambas as mãos e um piscar de olhos, um desejo de que todos os seus desejos se realizassem. Embora Sabrina Popo ocasionalmente surpreendesse com caldos de ervas no fogão, ou uma fornada de dumplings de repolho salgado com porco, sua natureza era mais a de uma borboleta social do que uma mestra doméstica. Na época em que criava a mãe da autora, ela dependia muito da ajuda de sua própria mãe. A virada ocorreu quando sua própria mãe faleceu subitamente, durante uma partida de mahjong. Foi então que Sabrina Popo comunicou à sua filha adolescente que ela seria a nova cozinheira da família, apesar de mal saber ferver água. Alguém precisava assumir a responsabilidade.

A Força na Adversidade e a Adaptação Cultural

Assim, a mãe da autora aventurou-se em um mercado ao ar livre, timidamente apontando cortes de carne aleatórios de um açougueiro em avental ensanguentado, enquanto a multidão impaciente gritava para que ela se apressasse. Ela voltou para casa para saltear a carne misteriosa com vegetais igualmente desconhecidos, servindo-a à família. "Seu famoso papelão com elásticos!", brincou Phillip Gong Gong, o avô, mastigando a carne dura e os pedaços de repolho semi-cru. Ainda assim, ele comeu com um sorriso, chamando-a de deliciosa. O sabor era secundário; o importante era alimentar a família. Aos quatorze anos, a mãe da autora já havia crescido. Phillip Gong Gong, por sua vez, era um sedutor com uma mandíbula marcada e cabelo impecavelmente penteado. Sendo o filho mais velho de dezesseis irmãos, ele viu suas irmãs serem dadas em casamento ainda bebês, exceto a caçula, que ele criou como se fosse sua. Músico autodidata, tocava quase todos os instrumentos, um "hustler" que conciliava aulas de música, o ofício de bartender e a liderança de uma big band no estilo de Ricky Ricardo, até se tornar um maestro célebre em Hong Kong, com seu próprio programa de variedades na TV. Carreira que, mais tarde, sacrificaria para se mudar para a América, passando de nome conhecido a pianista anônimo nos lounges de São Francisco. Ele era um romântico – de onde a autora herdou essa característica – que vivia pela emoção de se apaixonar. Sabrina Popo também sonhava com o amor desde menina. Seus pais tinham cerca de dezoito anos quando se conheceram. Sabrina vinha de uma família de estudiosos de alto status, e Phillip, o músico lutando pela vida e filho de açougueiros, não era considerado digno por sua família. Enquanto a irmã gêmea de Sabrina, Virginia, foi prometida a um homem sino-americano nos Estados Unidos que não falava cantonês, Sabrina se recusou a permitir que seus pais frustrassem seu amor – ou a impedissem de engravidar. Em uma cultura obcecada em "salvar as aparências", para preservar a reputação das famílias, eles se casaram antes que alguém percebesse. Mas mesmo após o nascimento de sua filha, e depois de mais três filhos, Sabrina nunca se acostumou com a maternidade. Ela passeava pelas ruas de Hong Kong, exibindo suas melhores roupas, enquanto afastava seus filhos, que deviam seguir vários passos atrás dela. Quando saíam em público, a melhor amiga de Sabrina frequentemente segurava a mão da mãe da autora, agindo como uma mãe substituta. A retirada de afeto, que definiu a infância de ambos os pais da autora, era uma história comum na cultura chinesa. Elogiar e abraçar os filhos significava mimá-los. Regras e expectativas rígidas moldavam as crianças em pessoas responsáveis e disciplinadas. O "amor duro" era o único amor conhecido. E, quando a mãe da autora atingiu a adolescência, o casamento de seus pais começava a ruir. O avô havia se apaixonado por uma mulher na boate onde trabalhava. Em uma tentativa desesperada de salvar seu casamento, Sabrina fez um anúncio familiar: ela e as crianças estavam se mudando para a América. A autora não tem ideia de como isso consertaria o casamento, mas Sabrina foi com tudo, voando com sua filha de dezesseis anos e seus três irmãos através do Oceano Pacífico até Hollywood, sem que soubessem uma palavra de inglês. Os cinco viveram amontoados em um apartamento de um quarto com beliches, perto da Franklin Avenue. A mãe da autora se matriculou como aluna do terceiro ano na Hollywood High School e cuidava da casa – limpando, reaquecendo tortas de frango congeladas e garantindo que todos fizessem a lição de casa. Mesmo sem falar muito inglês, ela arranjou um emprego – enrolando wontons em uma fábrica de alimentos congelados próxima – para ajudar a pagar o aluguel. O divórcio não era comum nos anos 1960, e era a desgraça máxima em sua cultura – os chineses envergonhariam as mulheres pelo fracasso de seu casamento. Mas Sabrina Popo foi corajosa o suficiente para suportar toda essa vergonha, então ela pediu o divórcio. Recém-independente, ela arranjou um emprego como caixa de banco no Vale de San Fernando, predominantemente branco. Ela começou a deixar a mãe da autora e seus irmãos por semanas a fio para visitar seu novo namorado em Boston, Teddy, com quem eventualmente se casaria. A mãe da autora, com dezesseis anos, ficava responsável por cuidar de três crianças com menos de quinze anos. A mãe e a autora conversam abertamente sobre isso agora: Sabrina Popo admitiu nunca ter querido ser mãe. Tanto ela quanto seu ex-marido se curvaram às expectativas culturais enquanto tentavam seguir suas próprias paixões. Phillip tinha sua música e, para o bem ou para o mal, Sabrina tinha seus amores. É difícil imaginar a mãe da autora fazendo tudo sozinha em tão tenra idade, incluindo agir como mãe para seus irmãos. A autora sente uma profunda proteção pela Alice adolescente, forçada a amadurecer tão rapidamente. Mas sua mãe lida com isso levemente. Ela sempre foi uma pessoa otimista e sabe que Sabrina fez o melhor que pôde. Sabrina buscou as coisas que a faziam feliz e, de certa forma, modelou a liberdade. A maternidade pode não ter sido sua vocação, mas Sabrina Popo foi uma avó amorosa e afetuosa. Ela passava as tardes com as netas enquanto seus pais estavam no trabalho, levando-as para passear e ouvindo ópera chinesa em alto volume. Ela parava para comprar um saco de laranjas na beira da estrada e voltava para casa reclamando que tinham furos, sem saber que suas netas as estavam espetando com palitos de dente no banco de trás. Na casa dela, elas brincavam de esconde-esconde no closet, e a autora passava as mãos por vestidos de seda fria, colares de pérolas e casacos de pele. Steph e a autora se envolviam em suas plumas brancas e faziam poses de modelo, rindo. Elas dançavam ao redor de sua penteadeira, forrada com fotos de Sabrina de suas viagens, examinando os diferentes tons de batom e as fileiras organizadas de esmaltes. Mas a melhor parte de tudo foi descobrir sua coleção de perucas. A autora colocava uma e desfilava por uma passarela imaginária até ser pega pela avó.

A Mesa de Dim Sum como Ponto de Conexão

O paradoxo do pai da autora é que ele podia dizer inconscientemente as coisas mais dolorosas e sem filtro diretamente no rosto de alguém, mas também era honrado e generoso. Como Sabrina Popo falava apenas cantonês, a língua comum entre elas era a comida. Quando ela e Teddy Gong Gong levavam as netas para tomar sorvete na Thrifty's, cada uma pedia um cilindro alto de sorvete em uma casquinha sem açúcar – o clássico "butter pecan" para Teddy Gong Gong e "pistache" para Sabrina Popo. A autora optava pela "bagunça" que era o sorbet de arco-íris. Popo lambia sua casquinha com extrema graça, sem nunca deixar cair ou borrar o forro de seu batom magenta. De alguma forma, seu sorvete estava sempre perfeito, assim como ela. Mas a tradição mais forte que compartilhavam era o dim sum – ele enraizava toda a família. Todos os sábados, elas iam ao restaurante favorito de Sabrina Popo em San Gabriel Valley (SGV). Do lado de fora, o prédio parecia abandonado, mas ao subirem para o último andar, o burburinho de centenas de pessoas as atingia. O salão de banquetes era um caos total, lotado de pessoas que se empurravam para a frente, tentando subornar a recepcionista por uma mesa com envelopes vermelhos. Os pais da autora usavam o nome de Sabrina Popo, e elas eram imediatamente acomodadas. Dizer que as casas de dim sum são barulhentas é um eufemismo: no restaurante delas, ouviam-se famílias falando umas sobre as outras, pratos e bules tilintando, senhorinhas chinesas gritando enquanto se espremem entre as mesas com seus carrinhos cheios de comida, clientes gritando pedidos. As mesas eram cobertas com toalhas de mesa cor de salmão e cercadas por cadeiras vermelho-brilhantes, e cada prato tinha um guardanapo dobrado em forma de cisne. Acima delas, lustres cintilavam. Antes que a tia e os dois tios chegassem, a mãe da autora sempre orquestrava quem deveria sentar onde. O lugar favorito da autora era na extremidade da mesa, mais perto dos carrinhos de dim sum que passavam. Ela se acomodava e encarava os pastéis de ovo e os pães de porco assados com churrasco, com o topo brilhante e dourado. Alguns carrinhos eram empilhados com vaporizadores de metal, enquanto outros continham recipientes de água fervente para branquear talos tenros de gai lan. Ela esperava o chiado dos bolos de nabo. A senhora que cuidava do carrinho os virava em uma chapa, dourando-os perfeitamente de cada lado, antes de deslizá-los para um prato. Ela saboreava os pedaços doces caramelizados de linguiça chinesa e camarão seco por dentro. Os irmãos da mãe da autora geralmente chegavam de mau humor, sem cumprimentar ninguém à mesa, com a testa franzida da tia e um sorriso matreiro no rosto do tio. Eles estavam sempre infelizes com alguma coisa. Mas as coisas melhoravam quando Sabrina Popo fazia sua entrada. Naquele sábado, ela entrou vestindo um agasalho de estampa de leopardo e óculos com lentes cor de rosa, cumprimentando amigos em todas as mesas. Suas entradas eram sempre um evento. Quando finalmente chegou até elas, insistiu em sentar-se na extremidade da mesa, perto da ação. Sabrina Popo chamou o garçom com um pequeno sorriso. Ele se ajoelhou para ouvi-la. "Guk fa cha, mm goi 菊花茶,唔該", disse ela, pedindo seu chá de crisântemo habitual em uma voz aguda como a de uma cantora de ópera chinesa, mas ainda assim suave e delicada. Um bule branco chegou à mesa, e sua irmã começou a servir o chá em pequenas xícaras de porcelana alinhadas. Steph passou uma para cada membro da família, girando a mesa giratória no centro da mesa. Ela terminou de servir o chá para o pai da autora, que estava ocupado falando alto em cantonês, mas bateu dois dedos na mesa para mostrar sua apreciação. "Har gow 蝦餃! Siu mai 燒賣! Char siu bao 叉燒包!", gritou uma mulher, empurrando seu carrinho fumegante bem na altura dos olhos da autora. Dois vaporizadores de metal pousaram na mesa, um sobre o outro. Sua irmã dividiu os pães entre os membros da família, partindo o seu ao meio e entregando a outra metade para a autora. A carne de porco laqueada com um molho doce e pegajoso transbordava do centro do pão macio. Para uma criança chinesa, char siu bao era tão emocionante quanto um saco de doces. A mesa giratória rapidamente transbordou com seus favoritos: arroz pegajoso com abalone embrulhado em folhas de lótus, costelinhas com feijão preto fermentado, bucho de tripa em favo de mel com curry. Enquanto a tia e os tios brigavam pelo controle da mesa giratória, pegando as melhores mordidas para si, a autora encontrou o olhar de Sabrina Popo. Incentivando-a a experimentar seu prato favorito, ela balançou um pé de frango cozido com seus hashis. A autora a provocou de volta com uma careta de peixe e uma risadinha. Ela lhe deu um piscar de olhos e um sorriso. Sabrina Popo era uma comedora lenta, constante e metódica, e a autora frequentemente se juntava a ela em seu ritmo de caracol, enquanto o resto da família esperava impacientemente por elas. Depois que limparam toda a mesa giratória, a inevitável disputa pelo cheque começou. Era uma dança social delicada, uma demonstração de seus modos e educação, garantindo que você não foi criado por lobos – e na maioria das vezes, era também um jogo de poder. Esperava-se, no mínimo, que você fizesse uma boa luta, e a dança poderia ficar feia rapidamente – a autora já testemunhou tias e tios batendo os punhos na mesa em uma guerra de gritos e cheques sendo rasgados ao meio. As crianças eram cúmplices úteis, encarregadas de fugir em busca da conta. O pai da autora foi o primeiro a pegar a conta, pronto para uma luta até a morte. Mas o irmão da mãe da autora convenientemente se desculpou para ir ao banheiro, enquanto sua tia e o outro tio se viraram para conversar um com o outro. Sabrina Popo pegou sua bolsa. "Por favor, Lou Ma Zi 老媽子" – ele a chamou de sua própria mãe – "nem pense nisso. Por minha conta!", disse o pai, levantando a mão para impedi-la. Não havia como ele deixar uma anciã honrada pagar. Um bom homem paga a conta, e o paradoxo do pai da autora é que ele podia dizer inconscientemente as coisas mais dolorosas e sem filtro diretamente no rosto de alguém, mas também era honrado e generoso – e ele, com certeza, cuidaria da família à mesa de dim sum.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Lit Hub