A inteligência artificial não irá apenas recomendar produtos, mas comprá-los e pagá-los por você. Essa é a visão da Zoop, a infraestrutura de pagamentos do ecossistema iFood Pago, apresentada por Marcella Calfi, gerente de marketing, durante o Rio Innovation Week. Segundo a executiva, o avanço da chamada "IA agêntica" está prestes a inaugurar uma nova era para o comércio e os serviços financeiros.
A tese vai além de uma simples evolução dos chatbots. Trata-se de uma mudança estrutural para uma economia de "zero clique", onde a interface principal deixa de ser a navegação em sites e passa a ser a conversação com um agente inteligente. Para as empresas, o desafio é se manter relevante quando a decisão final de compra é delegada a um algoritmo.
Da recomendação à execução
Hoje, a IA auxilia, preenchendo dados de checkout ou sugerindo itens. O próximo passo, segundo Calfi, é a execução autônoma. O exemplo é claro: um agente que percebe que seu protetor solar está no fim, conhece sua marca preferida e realiza a compra para entrega antes mesmo que você note a necessidade. A compra se torna um processo invisível e preditivo.
Nesse modelo, a jornada do consumidor, tradicionalmente marcada por dezenas de cliques, é substituída por uma interação fluida. A infraestrutura de pagamentos, como a desenvolvida pela Zoop, torna-se a camada crítica que permite a esses agentes transacionar de forma segura e integrada, transformando intenção em ação sem intervenção humana.
O novo marketing é ser confiável
Se o consumidor não clica mais, as métricas de SEO e CTR perdem o protagonismo. O novo campo de batalha do marketing, na visão da Zoop, é a influência sobre os modelos de linguagem. A pergunta-chave para as marcas deixa de ser "como atrair cliques?" para "como ser a principal recomendação do agente de IA?".
A resposta está na reputação. Os algoritmos consolidam avaliações, conteúdos públicos e a qualidade das informações disponíveis para formar suas "opiniões". Portanto, governança de dados e a construção de uma imagem pública sólida e confiável se tornam ativos estratégicos, mais importantes do que nunca para garantir um lugar na cesta de compras automatizada do futuro.
A transformação, no entanto, não é apenas externa. O próprio iFood já utiliza milhares de agentes internos para automatizar tarefas e liberar seus colaboradores para o trabalho estratégico. A mensagem de Calfi é um alerta: tratar a IA apenas como uma ferramenta de produtividade é uma visão limitada. As empresas que não redesenharem suas estratégias para este novo consumidor algorítmico correm o risco de se tornarem invisíveis.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





