A Alhambra de Granada, um dos monumentos mais emblemáticos da Espanha e Patrimônio Mundial da UNESCO, está avançando na elaboração de um plano de salvaguarda para seus Palácios Nazaríes. A iniciativa surge como resposta à recente série de terremotos que abalaram a região no verão passado, intensificando a preocupação com a vulnerabilidade do complexo histórico a eventos sísmicos, além de outros riscos como inundações e incêndios.

Resiliência histórica e a necessidade de um plano

A Alhambra ostenta uma resiliência notável, tendo resistido a terremotos por mais de seis séculos, desde sua construção na época nazarí. A história registra eventos sísmicos significativos, como os de 1431, 1526, 1806 e 1884, que causaram danos consideráveis à cidade e arredores. Contudo, a sobrevivência ao longo do tempo não a torna imune a futuras catástrofes. A estrutura do monumento sofreu desgastes e passou por inúmeras restaurações, e seu comportamento sob estresse sísmico continua sendo objeto de estudo.

O novo plano de salvaguarda

Diante desse cenário, o Patronato da Alhambra e do Generalife iniciou os trâmites para a criação de um plano de proteção específico para os Palácios Nazaríes, o coração do conjunto monumental. A licitação para a redação deste documento foi lançada no valor de 115.328 euros (aproximadamente R$ 600 mil), com o objetivo de ir além das normas de autoproteção voltadas à segurança dos visitantes. O novo plano focará na salvaguarda dos valores patrimoniais, detalhando procedimentos para proteger o acervo em caso de emergência.

Medidas e implementação

Segundo a documentação do projeto, o plano contemplará medidas imediatas, como a recuperação de saídas de emergência inutilizadas e a desobstrução de vias de circulação, além da formação de equipes especializadas em proteção de bens culturais. A médio prazo, o plano prevê a coordenação com outras administrações e forças de segurança. Um dos pontos mais relevantes são as fichas individuais para cada bem cultural dentro dos palácios, detalhando sua localização, rota de evacuação e informações cruciais para sua proteção, incluindo elementos arquitetônicos intrínsecos como gessarias e azulejos.

Desafios e futuro

Os trabalhos de elaboração do plano, que exigirão uma equipe multidisciplinar com especialistas em patrimônio, restauradores e coordenadores de segurança, terão duração de um ano. O uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) será priorizado para geolocalizar riscos e peças. A Alhambra já conta com o SIALH, um sistema baseado em SIG, o que representa uma vantagem. No entanto, a efetividade do plano dependerá de sua adjudicação, redação e, crucialmente, da realização de simulacros periódicos. Após séculos de confiança na sorte, a Alhambra busca agora um plano B para garantir sua preservação. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka