O primeiro semestre de 2026 consolidou uma tendência clara no setor de turismo global: o poder das celebrações de aniversários de franquias cinematográficas como motor de atração de visitantes. Dados da plataforma de distribuição de visitas guiadas Civitatis revelam que Edimburgo, no Reino Unido, e a Nova Zelândia registraram crescimentos expressivos na demanda, impulsionados pela marca de 25 anos das estreias de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, ambas lançadas originalmente em 2001.
Edimburgo observou um incremento de 27,13% no volume de reservas, enquanto a Nova Zelândia viu a procura por roteiros temáticos subir mais de 30% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O movimento evidencia que o turismo de experiência, focado na exploração de cenários reais que serviram de inspiração ou locação para grandes produções, deixou de ser um nicho para se tornar um pilar relevante na economia de destinos específicos.
A construção de um destino literário em Edimburgo
Em Edimburgo, o interesse turístico está intrinsecamente ligado à atmosfera da cidade que, segundo relatos, serviu de base criativa para J.K. Rowling. Locais como a Victoria Street, frequentemente associada à estética do Callejón Diagon, e o cemitério de Greyfriars tornaram-se pontos de parada obrigatórios para fãs da saga.
A estratégia de receptivo local tem sido capitalizar sobre essa mitologia, integrando a arquitetura medieval da Royal Mile e da Old Town com a narrativa literária. O sucesso de tours temáticos demonstra como a narrativa urbana pode ser expandida para além de museus tradicionais, transformando a geografia da cidade em um cenário vivo que dialoga diretamente com o imaginário do viajante contemporâneo.
O legado cinematográfico da Terra Média
Por outro lado, a Nova Zelândia mantém sua posição consolidada como o destino definitivo para os entusiastas da obra de J.R.R. Tolkien, adaptada para o cinema por Peter Jackson. O país utiliza sua paisagem natural — composta por vales, montanhas e formações vulcânicas — como um ativo turístico de alto valor agregado, que se valoriza conforme o tempo distancia o lançamento dos filmes, criando um efeito de nostalgia e preservação.
A exaustiva preservação do set de Hobbiton, localizado próximo a Auckland, exemplifica como o investimento na manutenção de cenários pode gerar fluxos constantes de receita. A visita à taberna Green Dragon e às casas dos hobbits não é apenas um passeio, mas a concretização de um universo ficcional que, duas décadas depois, continua a atrair gerações que buscam a tangibilidade da fantasia.
Implicações para o ecossistema de viagens
Para o setor de turismo, o fenômeno sugere que a longevidade de uma propriedade intelectual é um ativo comercial tão potente quanto a infraestrutura física de um país. Destinos que conseguem integrar suas atrações naturais ou históricas a narrativas de sucesso global reduzem a dependência de sazonalidades tradicionais, criando um calendário próprio baseado no ciclo de vida da cultura pop.
Contudo, essa dependência de franquias traz desafios de gestão, especialmente no que tange à preservação dos locais diante do aumento do fluxo de visitantes. A necessidade de equilibrar a experiência do turista com a integridade do patrimônio, seja ele urbano ou ambiental, será a próxima fronteira para as autoridades de turismo em Edimburgo e na Nova Zelândia.
O que esperar das próximas décadas
A permanência desse interesse levanta questões sobre a sustentabilidade do turismo de nicho a longo prazo. Resta saber se o fluxo de visitantes se manterá estável conforme as gerações que vivenciaram o impacto original das estreias envelhecem, ou se a constante renovação das sagas via novas plataformas garantirá o fluxo de receita.
Observar como esses destinos gerenciam a saturação e a renovação de suas ofertas temáticas será crucial para entender o futuro do turismo de entretenimento. A estratégia de longo prazo exigirá mais do que apenas a exploração da marca, mas a curadoria cuidadosa de uma experiência que continue relevante para o viajante do futuro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





