A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a superar a taxa de rejeição neste início de 2026, segundo dados da mais recente pesquisa CNT/MDA. O levantamento aponta que 35,3% dos eleitores classificam a gestão como ótima ou boa, enquanto 34,3% a consideram ruim ou péssima. A diferença de um ponto percentual, embora estreita, interrompe um ciclo de desaprovação que marcou os primeiros meses do ano.

Este resultado consolida uma tendência de recuperação observada gradualmente. Em fevereiro, a administração petista enfrentava seu momento mais crítico na série recente, com apenas 29% de aprovação contra 44% de avaliação negativa. A reversão do quadro reflete uma convergência entre as curvas de popularidade, consolidada após meses de estabilidade no segmento de avaliação regular.

Dinâmica da recuperação política

A trajetória dos números revela uma melhora significativa na percepção pública sobre a gestão federal. Em pouco tempo, a aprovação subiu seis pontos percentuais, saindo de 29% para os atuais 35%. Simultaneamente, a rejeição recuou dez pontos, saindo de 44% para 34%, um movimento que sugere um arrefecimento no desgaste político que o governo enfrentava no começo do ano.

Vale notar que a estabilidade do contingente que avalia o governo como "regular" — que encerrou o período em 29% — atua como um fiel da balança. A migração de eleitores desse estrato, ou a reconquista de parte da base que se sentia desiludida, parece ser o motor principal para o cruzamento das curvas de aprovação e desaprovação observado neste levantamento.

Mecanismos de engajamento e percepção

O cruzamento das curvas ocorre em um período de intensa movimentação no ecossistema político brasileiro, que já se volta para o horizonte eleitoral. A variação, embora esteja dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais, carrega um peso simbólico relevante para a base governista, que busca consolidar uma narrativa de retomada econômica e estabilidade institucional.

O desafio para a gestão, contudo, permanece na volatilidade do eleitorado. A redução da distância entre a avaliação negativa e positiva, que chegou a ser de 15 pontos em fevereiro, indica que o governo conseguiu estancar a sangria de popularidade, mas a disputa pela percepção pública continua acirrada, com quase um terço do país mantendo uma postura de espera ou neutralidade em relação às entregas do Executivo.

Implicações para o ecossistema político

Para os stakeholders do mercado financeiro e investidores, a estabilização da popularidade de Lula é um dado de monitoramento constante, pois a sustentabilidade de reformas e a previsibilidade fiscal dependem, em última instância, da força política do Palácio do Planalto. Um governo com maior respaldo popular tem, teoricamente, mais margem de manobra para negociar pautas no Congresso Nacional.

Por outro lado, o cenário competitivo para as eleições de 2026 permanece em aberto. A polarização continua sendo um traço marcante, e a melhora na aprovação não garante a transferência de votos ou a vitória em cenários de disputa direta. O monitoramento das próximas pesquisas será crucial para entender se esta inflexão é um ponto fora da curva ou o início de uma tendência de consolidação.

Perspectivas e incertezas

O que permanece incerto é a capacidade do governo de manter essa trajetória de ascensão diante de possíveis choques externos ou desafios fiscais internos. A pergunta que se coloca é se a melhora na percepção pública será acompanhada por indicadores econômicos concretos que o eleitor sinta no cotidiano, fator essencial para a manutenção da popularidade a longo prazo.

Os próximos meses servirão como um teste de resiliência para a estratégia de comunicação e articulação política do governo. Observar se os índices de "bom e ótimo" continuarão em expansão ou se atingiram um teto será o próximo passo para compreender o fôlego da administração petista na reta final do mandato.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney