Para uma gigante industrial como a ArcelorMittal, a tecnologia da informação não é um departamento de suporte, mas parte da linha de produção. Qualquer instabilidade nos sistemas pode paralisar a fabricação de aço. Nesse contexto, a ArcelorMittal Sistemas, seu braço de tecnologia, promoveu uma modernização de sua plataforma SAP que resultou em uma redução de 58% nos custos de sistema operacional e um ganho de 86% na produtividade das equipes de infraestrutura.

O projeto, detalhado em um comunicado da parceira tecnológica SUSE, transcende a mera otimização de despesas. Ele representa um movimento estratégico para garantir a resiliência e a agilidade de um negócio de capital intensivo. A leitura aqui é que, para a indústria pesada, a transformação digital deixou de ser um conceito vago para se tornar um pilar de continuidade operacional e competitividade.

Do caos à coesão

O cenário anterior à mudança era um retrato comum em grandes corporações: um ambiente de TI heterogêneo, com múltiplos fornecedores, arquiteturas distintas e processos de gestão complexos. Essa fragmentação atendia a mais de 30 mil usuários do sistema SAP e um banco de dados de 23 terabytes, mas gerava custos operacionais elevados e dificultava a agilidade para responder às demandas do negócio.

A solução passou por um duplo movimento: a migração das aplicações críticas para a nuvem Microsoft Azure e a padronização do ambiente com o SUSE Linux Enterprise Server for SAP Applications. Segundo Claudinei Gonçalves, gerente de Sistemas Operacionais da ArcelorMittal Sistemas, a estratégia era consolidar a infraestrutura em uma plataforma única, simplificando a gestão e aumentando a estabilidade.

O tempo como métrica de negócio

Os ganhos mais expressivos, no entanto, talvez não estejam nos percentuais de economia, mas na redução do tempo. A implantação de novos serviços, que antes consumia cerca de 40 horas, agora é feita em apenas oito. Projetos que levavam uma semana passaram a ser concluídos em menos de um dia. Essa aceleração libera a área de tecnologia para atuar em frentes estratégicas de inovação, em vez de apenas manter a operação.

A padronização também fortaleceu a governança e a conformidade, facilitando auditorias e o atendimento a regulações como a Lei Sarbanes-Oxley (SOX). Em um ambiente industrial, onde o risco operacional tem impacto direto na produção, essa camada de controle e resiliência é um ativo estratégico. A meta de atingir 99,95% de disponibilidade para os sistemas críticos demonstra que a infraestrutura digital é vista com a mesma seriedade que a infraestrutura fabril.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside