A volta do petróleo ao patamar de US$ 90 o barril reacendeu um alerta no mercado de renda fixa: o risco inflacionário. Em um cenário de preços em aceleração, a pergunta que se impõe é qual classe de ativos seria mais penalizada. Para a ARX Investimentos, a resposta não é tão óbvia quanto parece.
Em carta a cotistas, Pierre Jadoul, diretor-executivo e gestor de crédito da casa, argumenta que, embora os títulos prefixados sejam “o instrumento mais vulnerável em um cenário adverso”, a solução não está na migração automática para ativos atrelados ao CDI. A análise, repercutida pelo InfoMoney, sugere que a aparente segurança do CDI pode mascarar uma perda de poder de compra no longo prazo, tornando a estratégia menos eficiente do que se imagina.
O risco visível e a falsa segurança
A tese de Jadoul parte de uma dualidade. Os títulos prefixados carregam o maior potencial de ganho em um cenário benigno, de ajuste fiscal e queda de juros. Contudo, a mesma estrutura os torna extremamente sensíveis a uma inflação persistente, que corrói seus retornos fixos. Diante das incertezas atuais, com a alta das commodities e o quadro fiscal doméstico, a aposta se torna mais arriscada.
Por outro lado, o gestor critica o que chama de “alocação excessiva em CDI”, tratada no Brasil como sinônimo de conservadorismo. Na prática, argumenta, a estratégia concentra o risco na taxa nominal de juros de curto prazo. Jadoul aponta que, em qualquer cenário, “o CDI é confortável, mas ótimo em nenhum”. Em um ambiente de queda de juros, o investidor perde a chance de travar taxas reais mais altas por mais tempo. Já em um regime de inflação elevada, o retorno nominal pode ser insuficiente para proteger o poder de compra.
A assimetria dos ativos de inflação
Nesse contexto, a ARX defende que “ativos indexados à inflação oferecem uma assimetria superior”. A lógica é que eles se beneficiam de uma eventual compressão de juros e, ao mesmo tempo, protegem o capital de forma mais eficiente em um cenário de alta de preços, quando comparados ao CDI. O retorno, nesse caso, está atrelado diretamente à variável que se busca proteger.
Jadoul, no entanto, pondera sobre um detalhe técnico: a incidência de Imposto de Renda sobre a correção monetária, que pode consumir parte do ganho real em períodos de inflação muito alta. A solução, aponta, está em ativos isentos, como LCIs, LCAs e, principalmente, as debêntures incentivadas de infraestrutura. Estes papéis, frequentemente emitidos por setores defensivos como energia e saneamento, possuem contratos também indexados à inflação, oferecendo uma dupla camada de proteção.
A análise da ARX é um lembrete de que, na gestão de portfólios, o conforto pode ter um custo. A discussão transcende a simples escolha de um indexador e avança para a compreensão dos riscos não aparentes em cada estratégia, forçando o investidor a calibrar a balança entre a vulnerabilidade explícita dos prefixados e a corrosão silenciosa de um portfólio excessivamente concentrado no CDI.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





